Bendigamos o vício asqueroso e erodente
que os corações degenerados escraviza:
e a boca impura que, sorrindo falsamente,
a vil mentira tem por suprema divisa.
Bendigamos a infâmia, a dor que finaliza
no desespero atroz: a calúnia velhamente
o ódio que espuma em praga ruge e aterroriza
a blasphêmia que os céus retalha torpemente.
Benditas sejaes vós, miséria e baixeza:
sois o pouso de apoio onde se estriba e enflora
a concepção do Bem – a Verdade e a Beleza.
Sois a treva onde fulge, em divinos lampejos
em violento contraste, em gloriosa plethora,
o amor cultuando a Vida em cânticos e beijos!
Tarsila do Amaral, agosto de 1919





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