TUDO, ALIÁS, É A PONTA DE UM MISTÉRIO
HÁ RAZÕES E RASÕES
VIVER É IMPOSSÍVEL...

Guimarães Rosa

14 dezembro 2009

Luke, o gato mais lindo do mundo- por Iago




era uma vez um gato que chamava luke e ele era o gato mais preguiçoso da casa! ele só fazia tudo aos poucos ele não saia a noite,não saia de tarde e de mãnha ele só ficava deitado na escada ou no sofa ou na varanda! éra o melhor lugar do mundo para ele. E o luke sempre falava assim pôssa, mami!, eu sou macho...! mas quando ele morreu todo mundo da familia ficou chorando por dois dias e duas noites e a minha mãe colocou um pau de uma amora e ele vai virar um adubo para a amoreira! e eu e o meu irmão mostramos para os nossos amigos onde que ele está!
Iago

Mulberry Bush


The children form into a ring, and holding hands run round and sing: -

"Here we go round the mulberry bush,

The mulberry bush, the mulberry bush;

Here we go round the mulberry bush

On a cold and frosty morning."



13 dezembro 2009

Baboushka !!!



Papai Noel
Pai Natal
Santa Claus
Father Christmas
Babbo Natal
Père Noël
Kriss Kringle
Jultomten
Kerstman
Joulupukki
...

Para Pedro, Iago e todos os que ainda são pequenos

12 dezembro 2009

Brisa Leve



Sensação boa e nova que me chega e agrada

Um pouco estranha pois sem o costumeiro porem

Sem precisões de clareza ou a menor certeza

Uma textura límpida, quase que só isso...

Não pede resposta, nem faz promessa ou alarde

Só chega, esvazia e preenche, sem sufocar

Refresca e sussurra exata pra não ser ouvida

Sentida...

Os tons suaves que percebo na discreta visão

Apenas sugerem que as cores do que vivi

Ali estão, todas, dissolvidas num frescor

Que sopra com leveza de bálsamo.

Nessa alquimia do que desconheço

Me deixo levar e recebo, sem querer saber porque

A brisa leve que tudo contem

Mesmo sem explicar meu mistério.

Denise Alves de Toledo

Kandinski - "Soft Hard"





29 novembro 2009

Sobre o que eu não sei dizer para Luke







ODE AO GATO
Pablo Neruda

Os animais foram
imperfeitos
compridos de rabo, tristes
de cabeça.
Pouco a pouco se foram
compondo,
fazendo-se paisagem,
adquirindo pintas, graça, vôo.
O gato,
só o gato
apareceu completo
e orgulhoso:
nasceu completamente terminado,
anda sozinho e sabe o que quer.
O homem quer ser peixe e pássaro,
a serpente quisera ter asas,
o cachorro é um leão desorientado,
o engenheiro quer ser poeta,
a mosca estuda para andorinha,
o poeta trata de imitar a mosca,
mas o gato
quer ser só gato
e todo gato é gato
do bigode ao rabo,
do pressentimento à ratazana viva,
da noite até os seus olhos de ouro.


Não há unidade
como ele,
não tem
a lua nem a flor
tal contextura:
é uma coisa só
como o sol ou o topázio,
e a elástica linha em seu contorno
firme e sutil é como
a linha da proa
de uma nave.
Os seus olhos amarelos
deixaram uma só
ranhura
para jogar as moedas da noite.


Oh pequeno
imperador sem orbe,
conquistador sem pátria
mínimo tigre de salão, nupcial,
sultão do céu
das telhas eróticas,
o vento do amor
na intempérie
reclamas
quando passas
e pousas
quatro pés delicados
no solo,
cheirando,
desconfiando
de todo o terrestre,
porque tudo
é imundo
para o imaculado pé do gato.


Oh fera independente
da casa, arrogante
vestígio da noite,
preguiçoso, ginástico
e alheio,
profundíssimo gato,
polícia secreta
dos quartos,
insígnia
de um
desaparecido veludo,
certamente não há
enigma
na tua maneira,
talvez não sejas misterio,
todo mundo sabe de ti e pertence
ao habitante menos misterioso,
talvez todos acreditem,
todos se acreditem donos,
proprietários, tios
de gatos, companheiros,
colegas,
discípulos ou amigos
do seu gato.


Eu não.
Eu não subscrevo.
Eu não conheço o gato.
Tudo sei, a vida e seu arquipélago,
o mar e a cidade incalculável,
a botânica,
o gineceu com os seus extravios,
o pôr e o menos da matemática,
os funis vulcânicos do mundo,
a casaca irreal do crocodilo,
a bondade ignorada do bombeiro,
o atavismo azul do sacerdote,
mas não posso decifrar um gato.
Minha razão resvalou na sua indiferença,
os seus olhos tem números de ouro.


(Navegaciones y Regresos, 1959)




'Girassol' - acrílico sobre tela, de André Peticov

20 novembro 2009

Il cammino di Santiago















Uma das coisas mais prazeirosas para quem gosta de sentir o vento da liberdade batendo no rosto é pegar uma estrada sozinha.
Muito agradável fazer o mesmo acompanhada de seu amor, é claro, ocasiões em que o compartilhar possibilita uma intimidade diferente, com a natureza como cúmplice de uma aventura a dois. Porque pegar uma bela estrada (sim, tem que ser bela) sempre é uma aventura! Simboliza um desafio, requer certa audácia, confiança e determinação.
Mas sozinha de tudo, você e a estrada, apenas, e toda a beleza à sua volta, é infinitamente melhor. Traz uma sensação de completude sem igual.
Pegar uma certa estrada, e fazer uma parada numa praia de nome Santiago: destino que se coloca à frente das curvas, em meio às lindas e infindáveis montanhas que acompanham o percurso.
Com cuidado, para não interromper o curso espontâneo da vida que se oferece, generosa e promissora. Percorrer o caminho, sem pressa, o caminho...
De cima, bem do alto, as praias por vezes se insinuam com águas prateadas num horizonte claro e firme. Por outras, a vegetação se impõe em sua diversidade densa e misteriosa -sugestiva-, tão próxima e tão inatingível ao mesmo tempo.
Poder observar, absorver a imponência das montanhas ao longe...Grandes, altas, enormes, longas e extensas, tão suaves, tão quietas!
Estáveis como a certeza do que o espera naquele lugar escolhido, porem trazido de surpresa, sutil artimanha do Criador que brinda a quem mantem os olhos abertos na estrada. Que não deixou que a luz do sol ofuscasse a vista, ou que a neblina empalidecesse as cores...
Subindo e descendo, entregando-se ao ritmo tranquilo, fazer-se mais próximo e reconhecer novas nuances no desenho da terra, harmonioso e perfeito.
Sentir-se parte e sentir-se inteiro.
E depois de elevar-se para perto do bem longe do Universo, chegar ao lugar de onde não mais sairá, a não ser para pegar a estrada de vez em quando, sozinha.
Pois quando percorro sozinha a estrada, é mais gostoso partir e uma certeza voltar...!
Denise Alves de Toledo

18 novembro 2009

Música, maestro!

50 anos da morte de Villa-Lobos, o maior compositor brasileiro.

50 anos da primeira apresentação do grande pianista e maestro João Carlos Martins em Nova York.

50 anos da revolução jazzística, com o famoso 'Take Five', quando o legendário Dave Brubeck tornou irregular a batida do jazz e lançou o histórico álbum "Time Out".

Esta apresentação se deu no Lincoln Center, de Nova York, em que a Orquestra Bachiana Filarmônica executa as Bachianas Brasileiras nºs 4 -Prelúdio (linda!) e 7 de Heitor Villa-Lobos, com a presença de Dave Brobeck interpretando( aos 89!) 'Branbemburg Gate'- de sua autoria, em homenagem a Bach- sob a regencia de João Carlos Martins.

Estes três artistas tiveram sua obra influenciada por Bach, o que o faz onipresente neste encontro histórico.

12 novembro 2009

Ai, Ai, Daniel Day-Lewis...


Preparada e concentrada (agora vejo que nem tanto, hehehe!) para escrever um texto sobre as mazelas egóicas da humanidade civilizada, pinço uma pérola da outrora exuberante atriz italiana Sophia Loren, comentando sobre a sensação de atuar ao lado de Daniel Day-Lewis em seu novo filme, o musical "Nine".
O filme é um remake do magnífico clássico "8 e meio", de Federico Fellini e traz um elenco de peso hollywoodiano, com Fergie, Nicole Kidman, Penelope Cruz e Marion Cotillard, alem de- claro- ele, Daniel Day-Lewis!
E marca a volta do diretor Rob Marshall aos musicais.
A historia é a de um diretor de cinema que tenta terminar seu novo filme e conciliar seu trabalho às mulheres de sua vida. Muitas.
Aí, não resisti e reproduzo o que disse a diva sobre esse intrigante e maravilhoso ator. De personalidade esquizotípica, quase enlouqueceu mulheres lindas, atrizes 'poderosas' como Isabelle Adjani e Juliette Binoche. Reza a lenda que ele passou a vida, entre uma atuação perfeita e um Oscar ou outro, colocando sua mochila no ombro, quando se enfadava de si mesmo e das pessoas e caindo sozinho mundo afora, para 'arejar'... Assim, sem avisar, 'quebrava', se recompunha e depois de um tempo voltava. Um privilegiado, ele. Quando a loucura ameaçava aprisionar, buscava a liberdade da solidão.

Adoro este ator, já o homem acho lindo mas parece ser um perigo!
Parece tambem ser a opinião da ainda altiva - e sábia! - Sophia Loren, que conta, do alto de seus 59 anos de carreira ter se sentido 'incomodada' ao trabalhar com o ator.

E fala sobre ele: "Daniel é incrível. Hipnótico, mágico, lindo e brilhante. Mas tambem muito assustador. Toda vez que fazíamos uma cena, ele era tão profundo e real que quase me intimidava."
Quase, Loren?


Abaixo, um pouco de pura intimidação...!
Denise Alves de Toledo

08 novembro 2009

Barco no Chão

Barco no Cais - José Pancetti


O barco no porto aporta;
um porto para o chão perdido,
não flutua na rua feita mar.
Lugar em que não faz sentido estar;
artifício pra fugir da sorte.
Impreciso o cálculo sem margem,
muda a direção do norte e
coloca o barco sem rumo...
Sem rumo tenta avançar, áspero.
Fora de lugar, do lado de fora,
joga a âncora sem a corda;
para não olhar o cinza das águas
forja cores secas na ilusão de ser luz.
Sem forças para a incerteza,
arrasta o exato peso que quis evitar.
De novo o sacrificio, mas já não pode retroceder:
deixou a corda nas águas...do mar.

Que agora está azul!
Denise Alves de Toledo

" Pinto com amor: só sei pintar com amor"

José Pancetti

24 outubro 2009

Aprendendo a subir














A seguir, "Instruciones pra subir una escalera", por Julio Cortázar:


Nadie habrá dejado de observar que con frecuencia el suelo se pliega de manera tal que una parte sube en ángulo recto con el plano del suelo, y luego la parte siguiente se coloca paralela a este plano, para dar paso a una nueva perpendicular, conducta que se repite en espiral o en linea quebrada hasta alturas sumamente variables. Agachándose e poniendo la mano izquierda en una de las partes verticales, y la derecha en la horizontal correspondiente, se está en possessión momentánea de un peldaño o escalón. Cada uno de estos peldaños, formados como se ve por dos elementos, se sitúa un tanto más arriba e adelante que el anterior, principio que da sentido a la escalera,ya que cualquiera otra combinación producirá formas quiçá más belas o pintorescas, pero incapaces de trasladar de una planta baja a un primer piso.

Las escaleras se suben de frente, pois hacia atrás o de costado resultan particularmente incómodas. La actitude natural consiste em mantenerse de pie, los brazos colgando sin esfuerzo, la cabeza erguida aunque no tanto que los ojos dejen de ver los peldaños inmediatamente superiores al que se pisa, y respirando lenta e regularmente.



"Nu Descendant un Escalier", Marcel Duchamp


Para subir una escalera se comienza por levantar esa parte del cuerpo situada a la derecha abajo, envuelta casi siempre en cuero o gamuza, y que salvo excepciones cabe exactamente en el escalón. Puesta en el primer peldaño dicha parte, que para abreviar llamaremos pie, se recoge la parte equivalente de la izquierda ( también llamada pie, pero que no ha de confundirse con el pie antes citado), y llevándola a la altura del pie, se le hace seguir hasta colocarla en el segundo peldaño, con lo qual en éste descansará el pie, y en el primero descansará el pie. ( Los primeros peldaños son siempre los más dificiles, hasta conseguir la coordinación necesaria. La coincidencia del nombre entre el pie y el pie hace dificil la explicación. Cuidese especialmente de non levantar al miesmo tiempo el pie y el pie).


Llegado en esta forma al segundo peldaño, basta repetir alternadamente los movimientos hasta encontrarse con el final de la escalera. Se sale de ella fácilmente, con un ligero golpe de talón que la fija en su sitio, del que no se moverá hasta el momento del descenso.


FIN





















Artists Demonstrating a Step of the Lindy Hop

22 outubro 2009

Doux...



On me dit que nos vies ne valent pas grand chose
Elles passent en un instant comme fanent les roses.
On me dit que les temps qui glisse est un salaud
Que de nos chagrins il s'en fait des manteaux.

Pourtant, quelqu'un m'a dit
Que tu m'aimais encore,
C'est quelqu'un qui m'a dit que tu m'aimais encore.
Serais ce possible alors?

On dit que le destin se moque bien de nous
Qu'il ne nous donne rien et qu'il nous promet tout
Paraît qu'le bonheur est à portée de main,
Alors on tend la main et on se retrouve fou.

Mais qui est ce qui m'a dit que toujours tu m'aimais?
Je ne me souviens plus c'était tard dans la nuit,
J'entend encore la voix, mais je ne vois plus les traits
"il vous aime, c'est secret, lui dites pas que j'vous l'ai dit"

Tu vois quelqu'un m'a dit
Que tu m'aimais encore, me l'a t'on vraiment dit...
Que tu m'aimais encore, serais c'est possible alors?

On me dit que nos vies ne valent pas grand chose,
Elles passent en un instant comme fanent les roses
On me dit que les temps qui glisse est un salaud
Que de nos tristesses il s'en fait des manteaux.

Pourtant, quelqu'un m'a dit
Que tu m'aimais encore,
C'est quelqu'un qui m'a dit que tu m'aimais encore.
Serais c'est possible alors?


Carla Bruni

18 outubro 2009

Persona Grata






SHANTI!!!




Pelé disse: "Love, Love, Love..."

Às vezes me pego achando muito estranho falar tanto- e sempre- de amor.
E, cada dia mais, vejo que é temática recorrente em minha vida. Será que virei babaca?- penso. Lesada, careta, crédula, ingênua ou o quê?
Se vou lembrando de mim lá atrás, de minha historia, quanto mais longe o tempo vai na lembrança, mais desconheço a menina que fui, a adolescente, a jovem mãe...
Por que eu brigava tanto? Sei o que me incomodava, mas certas coisas vão incomodar a vida inteira, não posso mudar minha história e sou idiota de menos pra achar que o passado se enterra. Nem se muda. Carrego-o comigo, cada pedaço, se bom ou ruim pouca diferença faz no trajeto. São as minhas experiências, o que importa.
Eu nem sabia abraçar, a não ser namorado! Me sentia esquisita no contato físico que não fosse íntimo. Mas xingar eu sabia. Uma pimenta, o que eu era. Perdeu a graça.
Juro que não é pretensão dizer que eu 'era', sugerindo não mais ser...Como comecei dizendo, acho até estranho, às vezes.
A persona que desenvolvi e que me pegou de jeito, forte e estável, prioriza o amor. Rechaça o rancor, doma a raiva, desvaloriza as mágoas.
Uma opção, o que fiz. Consciente. Aos poucos, mas cultivada. Com dificuldade, muita. Mas o caminho que quero seguir. Não me preocupa não ser fácil. Nunca me atraíram as coisas fáceis.
Não me interessam, absolutamente, os que não praticam o amor. Não vou salvar, consertar, criticar nem impor nada a ninguem. Um horror, isso. Mesmo porque não sei o que é melhor, a não ser para mim e dar conta disso já me é trabalho suficiente.
Eis aí uma tarefa que é só minha, impossível dividi-la sem que ter que abrir mão de minha liberdade. Por isso, inaplicável a mim.
O amor.
É o que quero. É o que vivo, em cada detalhe das minhas coisas. Do sorriso que dou a um estranho, da comidinha que faço- quando quero- bem feita. Das palavras que digo a quem queira ou precise ouvir. Do ócio- compartilhado quando possível- para recarregar energias. Do absoluto estado de contemplação da natureza, que me alimenta com sua perfeição. Da receptividade que tenho ao carinho com que me presenteiam a toda hora, com tanta generosidade, e que - hoje - entendo merecer.
Humildade, ainda estou longe! Sempre estarei, mas colei nela. Absorvo sua mensagem, um tantinho me transformo e me torno um pouco melhor do que antes. Melhor para mim, do jeitinho que eu quero.
E ainda que às vezes ache muito estranho tudo isso - que pieguice incurável é essa que se instalou em mim? - vejo que é porque me deixa leve. O amor é leve. E aguenta carregar qualquer peso...
É gostoso falar dele o tempo todo. A todo momento, tê-lo como foco.
Perdão.
Eis uma palavra que tambem está distante de minhas ambições.
Não me seduzem teorias de 'auto-ajuda'. Nem dou bola, acho auto-ilusão, hipocrisia e manipulação, tal como é vendida.
Esse papo de perdão tem a ver com Deus, é completamente particular e diz respeito só a mim e a Ele. Não tenho poder para perdoar a ninguem e só posso ser perdoada daquilo que, de verdade, enxergo como um erro que tenha cometido. E do qual venha a me arrepender. Não me punir, mas sinceramente me arrepender. E reparo-o, me comprometendo comigo mesma a não negligenciá-lo em favor de meu ego.
Amor, sempre.
O que, muitas vezes, traduz-se apenas em não atingir ao outro, não atravessar o caminho do outro para avançar no meu. É simples, o amor. É fraterno, é um estado de espírito, como entendo e gosto disso!
E quando me vem à cabeça essas lembranças de mim mesma, e de meu temperamento sanguíneo (ou qualquer coisa assim), vem junto a certeza de que cada vez mais distante está. Começou como uma opção, e segue com vida própria, posso assim dizer.
Não há sentido naquilo que não me serve. É como se tivesse se tornado 'persona non grata' (com trocadilho e tudo). Não por ter sido errado, ou errático, mas por não me caber mais.
É o que sempre quis para mim. Não sabia, mas já estava em meu jeito de me envolver e envolver as pessoas. Já era essa, a tônica.
Só resolvi ampliar o horizonte e abrir para o mundo uma mensagem que trazia guardada em mim, mas economizava.
E é muito claro...O mundo e as pessoas do mundo querem amor.
Ao menos do mundo tal como eu o vejo. Com meus iguais, mais não precisa.
E é grande, e tem tanta gente...Esse meu mundo!
E chega de falar em primeira pessoa, coisa que tambem não valorizo muito. Exercíco de auto-afirmação, tem que ser muito dosado, senão inebria...
I'M LOVE.
Denise Alves de Toledo

foto de Victor Jorgensen

17 outubro 2009

Brincadeira, Amor, Criança, Tudo





















HAPPY TOGHETER!!!




Juntavam seus filhos e no total dava cinco. Três meninos e duas meninas, todos lindos, cada um de uma cor!
Considerando-se o ar de alegria em seus rostos, tambem, então o numero aumentava para sete.
Sete alminhas puras, brincando ingenuamente -e tão felizes!- numa tarde de sol, céu azul demais da conta e sobremesas geladas e cheias de calda doce.
Os sorrisos no rosto e as bochechas vermelhas expressavam seu vigor, e abraços e beijinhos eram distribuídos generosamente, a todo momento.
Bonito de se ver! O invejoso, certamente morderia os lábios...Nem seria notado, porem, é verdade. Ali imperava o amor e a aura que os circundava protegia-os de qualquer coisa ruim.
Nunca choveria ali, os carros já não passavam, gente triste se alegraria, os ladrões nem se atreviam...
E as rodas eram feitas de cantoria, afinadas pelo espírito de união que ali havia.
As mais simples brincadeiras, pega-pega, pular corda, empinar pipa, amarelinha, desenhos com giz no chão...Eram entremeadas com gargalhadas, tão espontâneas e animadas que deviam ser ouvidas no céu e contagiar a todos os anjos. Bem, mais certo é que os anjos deviam é estar lá, regendo toda a orquestra.
Os dois sorriam, um para o outro, cúmplices naquela celebração, de vida e de amor, fazendo por merecer seu encontro, que juntou tanta gente pequena pelo fato de estarem juntos, e agora estendia isso a tantos outros.
Não enfrentaram juntos a parte mais chata, quando todas aquelas crianças eram tão pequenas e ainda faltava tanto para poderem se expressar de um jeito mais compreensível e pleno, quando tudo tinha que ser menos solto, menos livre e mais serio.
Haviam se conhecido quando as crianças já tinham uma historinha, já haviam passado pelo primeiro começo, já se encontravam um pouco prontas para saber o que é ser feliz!
Com essa sorte, tudo era recheado de gostosuras e 'deliciosidades'...Inclusive falar errado, como era bom!
Ouvir um dos pequenos fazendo um comentario em que a conjugação do verbo se dava na direção contrària às regras gramaticais: -"eu tinha fazido...", "eu se assustei..."- tão bom de ouvir, antes que a ordem das coisas ensine que não pode.
E nesses dias, domingos abençoados que eles decidiram que seriam dedicados ao lazer na rua, ao ar livre, a felicidade se instalava, permeada por um amor que tambem era livre. Pelo respeito que tinham um pelo outro, pela aceitação dos filhos que não eram seus, um prolongamento daquele a quem se ama- verdadeira e incondicionalmente- com quem se quer apenas estar junto. Sem amarras, sem restrições. Sem pressa, sem exigencias. Abertura plena ao amor.
Dividido, somado, acrescentado, multiplicado por mil através daqueles serezinhos que ainda são projetos de gente. Pelo jeito, de gente boa...
E o que é mais importante nessa vida? Do que domingos que unem, a compartilhar um espaço lúdico, conectados com o puro e espontaneo da vida que é brincar! Não fechados numa redoma, mas com todos, abertos ao mundo. Assim, avisaram: - quem quiser pode chegar. A rua é de todos. A liberdade tambem...
E o que era sete, virou dezessete, depois vinte e sete, e mais, e mais...Um pequeno, simples, fraterno e poderoso universo!
Denise Alves de Toledo

















14 outubro 2009

Folias Etílicas


Conhecem o "Les Folies Bergères"...?






































Para se viver nos excessos não é preciso estar embriagado. Quando se refletem em prepotência, não há racionalidade que os controle. Ou espiritualidade que os redima.















O orgulho só se transforma quando se enxerga. Aí, fica-se sóbrio, de verdade.
Calminho...Lá no fundo da alma, onde ninguem pode penetrar.
Tranquilo...Com a consciência leve, o que só com verdade se pode desfrutar.
Sereno...Em estável (porque genuína) harmonia com um Poder Superior.
E pequeno...Seu real tamanho.
O resto é folia. Em que apenas vão se trocando as máscaras.
Denise Alves de Toledo






E o dedo que aponta para o outro não percebe que esconde outros três, voltados para si mesmo.












07 outubro 2009

Julgamento

Theme Last Judgement
Kandinsky
"A Deus rogando e com o malho dando"... Provérbio espanhol

Não é algo muito bom de se fazer, julgar alguem, mal ou bem.
Sem sequer conhecer, talvez tenha apenas ouvido dizer.
Não é sinal da tão alardeada integridade utilizar a razão para distorcer os fatos que não pode compreender, porque não os viveu.
Então, nem pode imaginar. Ou melhor, só o que pode é imaginar.
Procura a tal humildade, é disponível a todos, creia. E deixa para cada 'outro' o cuidar de si.
Aí está o 'simples' de ser feliz.
E o que achar que, porventura, esteja em teu caminho, aquela pedrinha a incomodar...Veja:
Não foi você quem colocou...?
No lugar de tecer hipóteses que venham te confortar, quem sabe a delicadeza poderia ajudar.
Porem, se tua escolha é truculenta, não distorce, se apodera totalmente, para quê justificar?
A vida é porta aberta a você, tambem. Mentir não é lá muito sábio, ainda mais para si mesmo...Bálsamo falso.
Tua boca fala o que gostaria de ouvir, auto-persuasão ingênua sobre o que não sabe o que é.
Vive e deixa viver. Deixa o que não é teu para trás...Julgar não te traz o que não conheceu, não altera o que não viu.
O início, o dentro, o outro lado...Mesmo querendo aí não pode penetrar.
Descontrola, solta e entrega!
Suave, muito suave, eis o rumo.
Não é para chutar a pedra, entende? É pedra, não esfarela com palavras. É, tambem, a pequena gota, com sua persistencia infinita...E mais não preciso dizer.
Sei que é uma pena não se poder mudar o que já é. Mesmo as vontades mais vorazes nunca são onipotentes.
E, de qualquer maneira, escolhas são escolhas, cada um com seu jeitinho.
Ou não...
Depois, resta o resto.
Da estrada...Imprevisível!
Só se sabe de onde vem...
Denise Alves de Toledo

"Fácil é julgar pessoas que estão sendo expostas pelas circunstâncias. Difícil é encontrar e refletir sobre seus erros, ou tentar fazer diferente algo que já fez muito errado. E é assim que perdemos pessoas especiais."
Drummond de Andrade

05 outubro 2009

Para Crescer













Alguns pensamentos budistas:


" A Oração é a Energia da Vida, permeando todo o Universo e tornando-se Força motriz para a Mudança."

"As pessoas não são nobres desde o nascimento, mas se enobrecem através de suas ações. As pessoas não são medíocres desde o seu nascimento, mas tornam-se assim através de suas ações. Se existe alguma diferença entre as pessoas, então essa diferença está somente em suas ações."

"Obviamente, desde que somos seres humanos, eternamente existirão algumas espécies de conflitos, rivalidades ou mesmo divergencias de opiniões. Entretanto, terminantemente, jamais haverá a necessidade de nutrirem-se de ódio ou mesmo matarem-se uns aos outros."

" A Covardia e a Vaidade são os grandes inimigos da prática da Fé. As pessoas com fé inclinadas para a covardia e a vaidade não podem alcançar a Iluminação. A prática da fé é senão o corajoso ato de avançar com espírito de leão nos momentos em que surgem as dificuldades."

"Em nossas vidas há momentos de alegria e sofrimento. Se conseguimos entender que sempre haverá bons e maus, poderemos aprender gradualmente a não esperar somente os bons momentos, e nem a detestar os maus."

"As pessoas de grande arrogancia não possuem integridade, estão vacilando, mudando de opinião conforme a situação."

"Pessoas que odeiam ser superadas pelos seus membros, que ressentem-se de não ser o centro das atenções, que sentem ciúme dessas coisas, possuem uma mente pequena. Elas estão no mais baixo estado da existencia humana e são os mais baixos seres humanos."

"Mesmo que tente distorcer a verdade, certamente chegará o momento em que ela será provada. Devemos comprová-la a todo custo. Da mesma forma, mesmo que o mal seja camuflado por todos os meios, ele será um dia desmascarado, para então encontrar a sua ruína e desaparecer."

"Existe uma única estrada e somente uma, e essa é a estrada que eu amo. Eu a escolhi. Quando trilho nessa estrada as esperanças brotam e um sorriso se abre em meu rosto. Dessa estrada nunca, jamais fugirei."


Namiororenguekio


Para Marisa, Valeria, André e Thiago, meus cunhadinhos da vida inteira...pela bela e sincera entrega a uma vida de Fé.

04 outubro 2009

O Punhal - Jorge Luis Borges


e Caim matou Abel...
The Murder,1868

by Paul Cezanne

Em um estojo tem um punhal.
Foi forjado em Toledo, a fins do século passado;
foi dado a meu pai por Luís Melián Lafinur, que o trouxe do Uruguai;
Evaristo Carriego esteve com ele algumas vezes em suas mãos.
Os que o vêem tem que brincar um pouco com ele;
se percebe que faz muito que o buscavam;
a mão se apressa em apertar o cabo que a espera;
a lâmina obediente e poderosa entra com precisão na bainha.
Outra coisa quer o punhal.
É mais que uma estrutura feita de metais;
os homens o pensaram e o formaram para um fim muito preciso;
é, de alguma forma eterno,
o punhal que esta noite matou um homem em Tacuarembó
e os punhais que mataram a César.
Quer matar, quer derramar sangue.
Em um estojo do escritorio, entre rascunhos e cartas,
interminavelmente sonha o punhal seu sonho simples de tigre,
e a mão se anima quando o rege.
Porque o metal pressente em cada contato o homicida
para o qual o criaram os homens.
Às vezes me dá pena.
Tanta dureza, tanta fé, tão amena ou inocente soberba,
e os anos passam, inúteis.


03 outubro 2009

Canto da Estrada Real - Walt Whitman















"Quando descobri que o máximo que podiam fazer era prender meu corpo, percebi a extensão da minha liberdade."


A pé, alegre, sigo pela estrada real,
Saudável e livre, o mundo diante de mim.
O amplo caminho da terra morena à minha frente me conduz aonde me agrada.
Daqui por diante não interrogarei o destino, eu mesmo serei o destino.
Darei um fim às queixas de quartos cerrados, de bibliotecas de críticas plangentes;
Forte e contente, sigo pela estrada real.
A terra, e isto basta.
Não desejo que as constelações estivessem mais próximas,
Sei que elas estão muito bem onde estão.
(Até aqui trago minha antiga e venturosa carga.
Levo-os, homens e mulheres, levo-os comigo aonde quer que eu vá.
Juro que me é impossível deles me desfazer,
Eu deles me impregnei, em troca quero impregná-los).

02 outubro 2009

Escrita Automática II - Tranquilidade é Dentro






Munch



























Rodin

Do Delírio, do Onírico, do Inconsciente, a essencia.

Como peixe preso na rede esperneava como animal enjaulado urrava silencioso como bandido no irremediável flagrante tentava fugir então os gestos saíam desproporcionais exagerados e o descompasso da voz delatava a emoção e era isso aí estava a origem do descontrole não sabia sentir e todo o esforço para controlar racionalizar a compreensão explodia em ira desespero e confusão a emoção o desorientava e emergia então justificando-se em seu pavor a obssessão em desviar para o intelecto a irracionalidade que o dominava simplesmente não sabia fazer de outro jeito não suportava ser e tudo que o atingisse como possibilidade suave estilhaçava sua couraça e quando era tocado pelo sopro que chega em ondas harmoniosas despertando seu ser dormente a reação era desproporcional ao pequeno e leve estímulo como fagulha que detona a explosão e bastava um olhar ou esboço de palavra que o atingisse em seu medo de delicadeza pois despertava o que em seu pensamento equivocado era sua fraqueza ele desintegrava-se por dentro desconectando-o por fora o que parecia um simples desajeitamento revelava-se completo desequilibrio entre o mental e o físico entre a alma e o corpo o animal e o homem
De
sin
te
gra ç
ão
Levando à ação desconexa que externava através de socos no ar ou em si mesmo tremores tensão nos lábios gestos bruscos dentes cerrados prontos a morder não não era uma ação impulsiva qualquer mas uma pane geral em que os ponteiros ficam rodando para todos os lados ao mesmo tempo não mais cumprindo suas funções de indicar horas minutos segundos certamente se não fosse tão fragmentado poderia ter se transformado em um assassino mas nem isso pois sentia-se antes acuado sempre como se fosse ser atingido com violencia e conter sua propria violencia era a sua resposta ao desespero e o olho saltava em enormes globos de pupilas que de tão assustadas se tornavam assustadoras e essa perda de controle de seu corpo exaurido pela contenção apenas servia desgaste absurdo para nada para evidenciar que tudo absolutamente tudo nele se passava dentro e agora tudo exposto tão vulnerável e por mais que tentasse lutasse contorcesse distorcesse não conseguia transformar em tranquilidade todo aquele sentimento pura dor que destruíra sua alma e que deixara cristalizar-se assim a calma que julgava conseguir aparentar e que na verdade era um torpor que manifestava como resultado desse esforço quase monstruoso em ludibriar a si mesmo caía por terra com peso de chumbo apesar de que normalmente paralisava como falencia do controle da reação que sabia ser vulneravel à qualquer ameaça mas o perigo se dava mesmo quando frente a um estímulo suave porem certeiro tudo podia entrar em total descompasso deixando-o nu e transparente e isso era como seu fim pois o fato é que definitivamente não havia lugar para tranquilidade ali lá onde ele era ou deveria ser ou ter sido havia se perdido em algum lugar que sabia não mais encontraria restando-lhe ser um espectro de ser para não ser de todo mau porem é indiscutível que tranquilidade é dentro ou então é emoção contida ou pior ainda é ausencia de emoção ali e apesar de toda a cena aqui des-configurada fica evidente o quanto é inútil tentar dissimular à luz de certos olhos...
Denise Alves de Toledo



 
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