TUDO, ALIÁS, É A PONTA DE UM MISTÉRIO
HÁ RAZÕES E RASÕES
VIVER É IMPOSSÍVEL...

Guimarães Rosa

14 dezembro 2010

Mistake - Moby



Ex-punk, vegano, cristão.




05 dezembro 2010

REFLEXÕES (6)













Sometimes snakes can't slough.
They can't burst their old skin.
Then they go sick and die inside the old skin
and nobody ever sees the new pattern...

It takes a real desperate
recklessness to burst your old skin at last.
You simply don't care what happens to you,
if you rip yourself in two, so long as you do get out..

It also needs a real belief in the new skin.
Otherwise you are likely never to make that effort.
Then you gradually sicken and go rotten and die in the old skin.

D.H.Lawrence (1923)


'The Man Who Died' - D.H. Lawrence

03 dezembro 2010

Imagine...

...All the people. For just a moment.





postado por Lucas Petrini

24 novembro 2010

O Pardalzinho

O pardalzinho morreu; o gato lambeu
O pardalzinho lutou; caiu e não levantou
Piou e pulou; quieto ficou
Bateu asas e não voou

O pardalzinho nasceu; não vingou
Coraçãozinho bateu; acelerou e cansou
Na boca do gato gritou
Mamãe sabiá não estava lá

Que bom, até que enfim morreu, o pardalzinho
Nem bem chegou, chegou sua hora
Voar pra ele, assim foi
Pelas asas do anjo dos pardais

Vai, pardalzinho, voar bem alto, bem longe
Teu lugar não era aqui...

As Impressões, na Estranha Vida



Soleil Levant, Claude Monet


A madrugada o acordou com a cantoria dos pássaros, que pareciam cantar mais e mais alto como a garantir a chegada da primavera, até então meio incerta.

Da cama imaginou a cena lá fora, a cor do céu, o ar ainda frio da alvorada. Pensou que devia ser cedo para intuir se o sol saudaria ao novo dia descaradamente ou com parcimônia, nessa imprevisibilidade que já havia se tornado rotineira. Decidiu ficar devaneando um pouco mais, ainda entre sensações do sono mal saciado e o efeito que o despertar repentino lhe provocava. Era uma sensação de irrealidade, que costumava durar algum tempo, sem nunca saber se passaria totalmente, ou se ainda teimaria em acompanhá-lo ao sair à rua, prejudicando a percepção das coisas à sua volta. Quando isso acontecia, era preciso fazer um esforço imenso para conseguir concentrar-se e fixar um grau mínimo de consciência que lhe permitisse atravessar a rua sem maiores riscos, por exemplo.


Sentia-se um pouco exausto, apesar do sono de mais de dez horas seguidas, e tentou pensar como faria para estar dali a duas horas na rua tal e encontrar-se com ela para, juntos, pegarem a estrada em uma direção qualquer. Sem data para retornar. Era o combinado, mas precisava ainda identificar sua disposição, que, invariavelmente se dava em função do clima que se anunciava pelo ar matinal. Nem importava tanto o que poderia acontecer ao longo do dia, se chuvas após calor intenso, sol escaldante após um amanhecer pálido e pouco promissor. Era aquele momento, imediatamente antes do nascer do sol, que lhe sinalizava a inspiração (ou a falta dela) de seu espírito para enfrentar mais um dia.

Nos dias em que não acordava, sincronicamente, nesse exato instante, que dispunha para se compor- nesses minutos em que a natureza ficava numa espécie de suspensão-,  sentia-se vulnerável e seu dia transcorria estranho.

Sabia que isso tinha a ver com sua própria natureza, essa falta de sentido que o acompanhava desde sempre e contra a qual já havia desistido de lutar.

Por isso até havia topado a proposta dela, aquela mulher misteriosa mas, ao mesmo tempo, tão confiável, que havia conhecido há poucos meses e com quem já estabelecera uma intimidade rara, numa convivência espontânea e sem compromisso. Ela iria de qualquer jeito, achou de lhe convidar por pensar que as afinidades entre eles poderiam enriquecer a aventura. Quem sabe trazer algum sentido, só pra variar...Por quê não?

Ela era misteriosa porque traduzia o próprio jeito de ser dele, o havia feito perceber o quanto realmente não julgava importante saber para onde ir, querer chegar a algum lugar. Mas ela o era à sua maneira, bem  mais divertida.

Isso o intrigava, gostava de perder tempo pensando naquela mulher que havia conhecido tão sem querer numa noite- bebericando sozinho, nem triste nem alegre-, que se sentou ao lado dele e começou a comentar sobre como gostava de beber martini, e se ele podia dividir o seu com ela.

Falou bem mais do que ele por toda a noite e, quando se despediram, ele ficou com uma sensação que há muito não tinha. Estranhou ter até lhe dado vontade de que ela o acompanhasse à sua casa, se deitasse ali com ele e o fizesse dormir, enquanto contava suas histórias com vivacidade e graça, ainda que às vezes tivessem um final não tão divertido.

Seus encontros eram totalmente livres de qualquer combinado, simplesmente quando um queria ver o outro, telefonava e se encontravam, em geral na casa dela. Saíam, às vezes, mas em geral ficavam a sós, compartilhando seu mundo interno um com o outro como se fossem extensões de um mesmo ser, ainda que de personalidades bem diversas.

O que os unia era a maneira como sentiam-se inseridos no mundo. Não se sentiam, descobriram.

Assim, aceitar seu convite a uma viagem sem roteiro foi algo natural, sem necessidade de motivos maiores. Afinal, em quê, diabos, havia sentido? Aceitou e só.


E quando acordou viu-se cansado, e pensou que precisaria saber sobre o tempo, ou não conseguiria. Gastou os instantes que tinha até o dia nascer tentando lembrar o que estava sonhando, se é que estava. Só lhe vieram algumas imagens de poeira, em meio à uma luz forte, ar seco e o gesto de apanhar um cantil preso ao cinto e saciar com prazer a sede, que era tambem uma sede diferente, que a cada gole fazia-o perceber que a poeira se desvanecia sob um vento ameno, deixando ver as cores do caminho à sua frente.

Deu de ombros à lembrança, mas viu-se disposto a levantar e fazer um bom desjejum. Tinha bastante tempo para preparar as poucas coisas que pretendia levar consigo: mochila com o essencial para duas ou três trocas de roupa, seus óculos escuros e os de leitura, alguns de seus livros de cabeceira (dentre eles um de poemas de Conrad, seu autor predileto), o caderno de anotações que sempre levava consigo. Escrever era quase uma compulsão, se bem que não compreendia bem porque escrevia suas impressões sobre coisas tão banais como 'o homem tirou seu chapéu quando a mulher passou à sua frente, e ela nem olhou para ele"...


Ao sair de casa pela última vez pensou no canto dos pássaros que sempre vinham lhe anunciar o dia que ainda estava por nascer. Seus amigos, talvez. Ou não, apenas viviam, como ele, acompanhando o tempo, as intempéries do tempo, a necessidade de se viver, mesmo sem saber porque.

Sentia-se bem. O horizonte surgia serenamente, a luz que se apresentava insinuava um dia de sol ameno, talvez aquela chuvinha de fim de tarde de primavera (finalmente, a primavera!), cheirosa e refrescante.

Achou que seria bom pegar uma estrada. Alem disso, nada mais precisava saber, por hoje. As impressões do despertar lhe trariam o amanhã. E o depois, e depois, o depois de amanhã...






Claude Monet

21 novembro 2010

Em Algum Lugar na Montanha...

Parabéns Sr Centenário Ipê por mais uma florada!!!!


Efêmera

" Vou ficar mais um pouquinho
Para ver se acontece alguma coisa nessa tarde de domingo
Hoje é o tempo preu ficar devagarinho
com as coisas que eu gosto e que eu sei que são efêmeras
e que passam perecíveis
e acabam, se despedem, mas eu nunca me esqueço
Por isso eu vou ficar mais um pouquinho
Para ver se eu aprendo alguma coisa nessa parte do caminho "

Tulipa Ruiz



Foto e poema 'emprestados' da vida de Lígia Altenfelder...Obrigada!

16 novembro 2010

REFLEXÕES (5)












Tudo é Divino

Há uma elasticidade cósmica, se assim lhe posso chamar, que é extremamente enganadora. Dá ao homem a ilusão temporária de que é capaz de mudar as coisas. Mas o homem acaba sempre por tornar a cair em si. É aí, na sua própria natureza, que pode e deve praticar-se a transmutação, e em nenhum outro lugar. E quando um homem percebe a que ponto é isto verdade, reconciliando-se com todas as aparências do mal, da fealdade, da mentira e da frustração; a partir de então, deixa de aplicar ao mundo a sua imagem pessoal de tristeza e dor, de pecado e corrupção.

Eu poderia, é certo, formular tudo isto de modo muito mais simples, dizendo que, aos olhos de Deus, tudo é divino. E quando digo tudo, é mesmo tudo o que quero dizer. Quando olhamos as coisas a tal luz, a palavra «transmutação» adquire um sentido ainda maior: pressupõe que o nosso bem-estar depende do nosso entendimento espiritual, do modo como nos servimos da visão divina que possuímos. Com um critério assim, o que nos poderá ainda chocar?

Henry Miller, in "O Mundo do Sexo"

12 novembro 2010

Wish You Were Here - Pink Floyd





Wish You Were Here / Breathe

So, so you think you can tell
Heaven from Hell,
Blue skies from pain
Can you tell a green field
From a cold steel rail?
A smile from a veil?
Do you think you can tell?

And did they get you to trade
Your heroes for ghosts?
Hot ashes for trees?
Hot air for a cool breeze?
Cold confort for change?
And did you exchange
A walk on part in the war
For a lead role in a cage?

How I wish, how I wish you were here
We're just two lost souls
Swimming in a fish bowl
Year after year
Running over the same old ground
What have we found?
The same old fears
Wish you were here


11 novembro 2010

Encruzilhada



Entre o torto e a direita
Como o roto e o rasgado
Se viu de repente
No meio do nada, e cansado.

Das sutis mentiras ofertadas
Das potentes ilusões mal desenhadas
Lembrou, displicente
Olhar vago no meio da estrada.

Para cima ou para baixo
O centro concentra (um consenso?)
Cismou um segundo, profundo
E parou no meio do mundo.

Vozes persistentes ressoavam
Teimosas e invasivas, atordoavam
Os ouvidos, zumbido zunindo, indo e vindo
Ali, no meio do tempo.

O verde ao lado, o azul de cima
A penumbra ou a tênue luz ao fundo
Um tanto confuso, atordoou
Sentou no meio do chão.

Mãos entre o rosto
Cabeça no chão, uma pausa
Os lábios murmuram murchos, exaustos
No meio do som do trovão.

Os raios lampejam e despertam
Lembranças entorpecem o caos da mente
Alguem, finalmente, não disse
Que no inferno não há encruzilhada?

E no meio do nada, lá no meio da estrada
No centro do mundo, eu profundo
Caminhos todos, juntos,
Sozinho, agora, converge.

Segue em reta, indiferente e sereno
Se estava ali, haveria de seguir.


08 novembro 2010

João Brandão adere ao Punk - Carlos Drummond de Andrade

Desenho de Meire Martins

João Brandão, estudioso de fenômenos sociais, modismos e frivolidades, dedica-se no momento à pesquisa do punk.
- Ainda não cheguei a nenhuma conclusão - disse-me ele. - Mas suspeito que o punk veio atender à necessidades do país nesta conjuntura. E acrescentou:
- Não me refiro, é claro, a modalidade do punk cultivado pelas classes alta e média da zona sul. Este é um punk de espírito e camisetas importados, jaqueta de couro valendo um punhado de dólares. É artigo de importação, que deve figurar na lista de produtos proibidos pelo delfim. Refiro-me ao outro, o de camiseta adquirida na rua Senhor dos Passos e rasgada. O moço não a rasgou para demonstrar maior identificação com o punk: ela está rasgada porque é velha e muito batida. Em suma, o punk pobre.
- Que diferença faz, se esta é uma característica exterior? - perguntei-lhe. - Faz muita diferença, porque o punk dos pobres, suburbano e sofrido, revela no seu despojamento, que para ser punk é necessário enfrentar uma barreira e abrir mão de toda a sociedade de consumo. Ao passo que o leblon é consumista, no esquema clássico.
- O João, e todos dois não estão inseridos nessa tal sociedade burguesa de consumo, que se adverte com seus palhaços, contestadores ou oficialistas?
- Não importa que a sociedade como estamento seria dos dois grupos e os tolere igualmente, enquanto a indústria fabrica objetos sofisticados para o uso do punk de salão. Importa é a atitude deles diante da vida. Um finge contestar, outro contesta mesmo.
- Contesta em verso, em som, em gesticulação, em aparência.
- Mas contesta com convicção, né? Porque os punks malditos sabem que, passada a moda, eles terão de inventar outra forma de lazer que seja protesto, ou outra forma de protesto que seja lazer, ao passo que os ricos não estão ligando para isso, o futuro deles está garantido, na medida em que pode garantir alguma coisa no mercado de vida. Então eu simpatizo com o punk despojado, mau poeta e mau cantor, mas empolgado pela missão que se atribui, de destruir a ordem conservadora por meio da música, do grito, do gesto e do anarquismo primário.
- Eles são inocentes, talvez.


- E daí? A inocência ainda não chegou a ser crime, embora não esteja muito longe disso. Os punks trazem uma receita de aparência ingênua, mas que tem sentido. Se tudo está errado por aí - e todos nós estamos mais ou menos convencidos disso - uma postura punk, descrente dos métodos e processos consagrados para nos salvar do abismo, tem razão de ser. Os garotos dizem as coisas com franqueza selvagem. A arte deles não é mozartiana ou sequer seresteira de diamantina, mas tem função, explica-se pela circunstância.
- Desculpe: são todos uns alienados.

- É possivel, mas os alienados do lado de cá, do meu, do seu lado, curtem uma alienação maior ainda, porque reconhecem o erro e nele perseveram, como se não o reconhecessem. O punk pode não ser novidade, e parece que depois do antigo testamento não apareceu nada de novo sob o sol. Mas ele dá um recado. Não é à toa que o punk de verdade tem seus arraiais em São Paulo, onde outro dia aconteceu aquilo que você sabe. A maioria dos rapazes nem mesmo está desempregada, porque ainda não conseguiu emprego. Vestem-se de preto porque a situação deles está preta, a roupa é rasgada porque não há outra. Os versos são detestáveis, porque a vida ficou detestável para o maior número. O som é infernal, porque o inferno está ai. Os punks não pretendem ser simpáticos, eles querem mesmo é gozar da antipatia geral. Estão divididos, eu sei, e não só entre ricos e pobres. Dividem-se entre pobres e pobres, cada grupo achando que o outro grupo está errado, mas na própria variedade de erros está a marca geral deles, um sinal de inconformismo até consigo mesmos.



Não há praticamente duas pessoas no país, neste momento, que tenham opiniões concordantes sobre o que é preciso fazer para consertar o torto social. Todos acham que é urgente aquele milagre que não seja milagre falso, mas ninguém conhece a fórmula ou, se conhece, não conta. O punk é mais sério do que ousamos imaginar. Até seu nome impressiona. Que quer dizer punk? "Madeira podre, isca, mecha, fedelho", segundo os dicionários. Não quer dizer nada de unívoco. Pra mim, punk, londrino, quer dizer pum, em português coloquial. E é isso mesmo: um gás importuno, estrondoso, no salão de festa, na rua, no gabinete da autoridade. É um som altamente contestatório das conveniências, preconceitos e idéias congeladas.

- João, estou te estranhando!

- Eu também estou me estranhando. E estou gostando de me estranhar. Mas sou apenas um observador, desculpe. Como disse, não conclui nada, por enquanto. O que disse são palpites. Talvez eu tenha de descobrir uma velha camiseta rasgada, pregar nela uma estampa de caveira ou de enforcado, e sair por aí, passando para trás roqueiros e newaweiros, e cantando a anarquia como forma de pagamento da dívida externa. Quem sabe? O bom observador tem de infiltrar-se no meio observado e adotar seus códigos.




Crônica publicada no
Jornal do Brasil, em 14/04/1983.

Eu tinha pendurada no mural do meu quarto. Há anos tentava encontrá-la.
O olhar de Drummond faz da lucidez poesia, da realidade o próprio alimento de transformação. Seu olhar era assim...




06 novembro 2010

Perfect Day - Lou Reed











Just a perfect day
drink sangria in the park
And then later when it gets dark
we go home

Just a perfect day
feed animals in the zoo
Then later a movie too
and then home

Oh, it's such a perfect day
I'm glad I spent it with you
Oh, such a perfect day
You just keep me hanging on
you just keep me hanging on

Just a perfect day
problems all left alone
Weekenders on our own
it's such fun

Just a perfect day
you made me forget myself
I thought I was someone else
someone good

Oh, it's such a perfect day
I'm glad I spent it with you
Oh, such a perfect day
You just keep me hanging on
you just keep me hanging on

You're going to reap just what you sow
You're going to reap just what you sow
You're going to reap just what you sow
You're going to reap just what you sow

04 novembro 2010

"My Hero" - Foo Fighters







My Hero
Too alarming now to talk about
Take your pictures down and shake it out
Truth or consequence, say it aloud
Use that evidence, race it around


There goes my hero
Watch him as he goes
There goes my hero
He's ordinary


Don't the best of them bleed it out
While the rest of them peter out
Truth or consequence, say it aloud
Use that evidence, race it around


There goes my hero
Watch him as he goes
There goes my hero
He's ordinary

Kudos my hero leaving all the best
You know my hero, the one that's on


There goes my hero
Watch him as he goes
There goes my hero
He's ordinary

28 outubro 2010

À Natureza, Eternamente



Mas que dia é esse
Tão perfeito, claro
E morno na medida?

Que mar é esse
Estonteantemente azul em movimento
De orquestra?

Que luz que acalenta, esquenta e ilumina
O coração
Que benção é essa que chega de repente
Singela e soberana?

Que maravilhosa constatação
A de que tenho olhos para ver
Tanto...!

Desfruto, contemplo, me enlevo
Leve vou
Celebro, agradeço, percebo
As sutis, delicadas, cálidas ondas
Do vento.

Sorvo, trago e me inebrio
Sem pressa, sem aquela
De desesperar
Solto o laço que prende o tempo
E me abandono, como em oração.

Assim ela ressurge, toma conta,
Cala a tudo
Mágica que só a ela obedece
E nem precisa gritar
Pois nunca se perde, não se corrompe
Jamais...

Filha legítima da Criação
Aqui está e sempre estará
Mesmo quando não mais os olhos
Para ver!


foto de Mari Toledo

19 outubro 2010

À Chuva, que é Vida Bem-Vinda!

"Eu tava comemorando a chuva depois de uma longa seca. As gotas d'água pareciam pérolas, talvez algum tipo de prêmio valioso. Talvez a composição seja sobre isso mesmo, uma renovação."


Hélio Silva


Mato Molhado - foto de Hélio Silva



para ver mais fotos do autor: http://www.flickr.com/photos/heliosilva/

15 outubro 2010

Não o Tempo; Só Silêncio



Atordoada com palavras tento escapar
Ziguezagueio em meio a verdades
Tiroteio de ilusões
Não consigo me ouvir
Não quero, não quero!


Encolhida em minha quietude anseio
Pelo silêncio
Penso no tempo, logo irá passar
Mas logo volta a torrente das vozes
Anunciando respostas, travestidas de deuses!


Volto o olhar para o céu, e o que vejo é o passado
Será que isso não basta?
Tão presente, e tão inatingível!
Me aconchego, então, em seus braços
Não me deixe enganar, não me deixe...


Me deixo levar, já não importa
Os gritos lá fora já não me ensurdecem
Me solto, completamente e forte
Os sons emudecem e fracos
O universo é silêncio, e me acolhe.

É só o que quero, não desvendá-lo.



Red Balloon-Paul Klee, 1922

06 outubro 2010

Chorando no Campo - Lobão

A chuva cai chorando

E meu amor vai e vem

No céu o chão a rede vai (me vai levando)

A noite alem da noite

Me faz lembrar

O que não vivi

E toda essa história

Esse segredo

Memória num vendaval

Pela estrada enquanto eu passo

O cinema é só ilusão

Vou chorando pelo campo

No meio do temporal

A chuva dá saudade

De um lugar que eu nunca fui

E o vento vai soprando o choro tão distante

Pela estrada enquanto eu passo

O cinema é só ilusão

Vou chorando pelo campo

No meio do temporal

03 outubro 2010

Boa Eleição, Brasileiros!

23 setembro 2010

Nem Sempre Amor

Demorei a perceber, ou fui percebendo aos poucos: você estava feliz. Não a tranquilidade forçada, o sorriso doído, as palavras calculadas. Te vi desarmado, sem se dar conta de que corria o risco de ficar entregue. Tanto teatro pra nada!
Não foi porque quis que vi, não esperava você assim, tão nu. Sei lá, talvez as palavras acabaram por te enfraquecer, tanto tempo, quantos recomeços do mesmo ponto. Talvez a ingenuidade com que tudo era tratado tomou conta da cena e ao longo dos intermináveis- e incrivelmente perseverantes- dias tornou desnecessário manter o personagem. Ou inútil, quem sabe.
Só sei dizer que me surpreendi! Por um momento fiquei a contemplar, naquele instante estive a te observar de longe, não misturada.
Passei então a pensar o que você faria, assim que algo em você mesmo o chamasse de volta. Sim, porque isso iria acontecer, não iria aguentar correr o perigo de tornar-se um idiota.
Depois que te olhei assim, de fora, não consegui mais voltar, pois já estava com as armas nas mãos.

O Amor é uma Arte? e a Arte...Ilusão ?

17 setembro 2010

REFLEXÕES (4)


"Por mais que aparentemente o discurso seja pouco importante, as interdições que o atingem logo e depressa revelam a sua ligação com o desejo e com o poder. E o que há de surpreendente nisso, já que o discurso - como a psicanálise nos demonstrou - não é simplesmente o que manifesta(ou oculta) o desejo; é tambem o que é o objeto do desejo; e já que - a história não cessa de nos indicar - o discurso não é simplesmente o que traduz as lutas ou os sistemas de dominação, mas aquilo por que, aquilo pelo que se luta, o poder do qual procuramos apoderar-nos."

Michel Foucault, in 'A Ordem do Discurso'

PENSE.

10 setembro 2010

Não Pertenço (uma visão fenomenológica)



Eu sou livre
Eu tenho o direito de me construir
Apesar da angústia de ser só
Por essa angústia de existir só
Eu sou livre

Quero dar o meu sentido
O olhar de mais ninguem
Não decidi começar
Lançado à sorte sem saber pra onde
Que seja autêntica, pois, minha existência

Não escolho fugir, quero encontrar
Não sou massa, não me dissolvo
Não sou pedaços
Não me perco de mim

Meu amparo sou eu mesmo
Na profundidade de me re-conhecer
É no agora, a busca eterna
A liberdade é minha sina.


08 setembro 2010

Percepção de Felicidade

Amarilis; Açucena; Flor-de-Lis do Japão, ou de São Tiago


Ao acordar, viu que o céu estava claro, apesar do sol que se fizera tímido nesse começo de outono. O azul quase se desvanecia nas vaporosas formas das nuvens, e isso lhe trouxe uma sensação de leveza. Agradável, sem dúvida, começar o dia assim. Quando desceu as escadas para tomar seu café, percebeu que as flores no beiral da grande janela que dava para o jardim ainda estavam ali, alheias à nova estação. A Amarilis, tão desprovida de pretensão e mistério, mostrava-se atrevidamente bela, com suas pétalas vermelhas gritando para si toda atenção num cenário de resto manso. Um sorriso de grata surpresa se formou em seus lábios, pela ousadia desse esplendor retardatário; afinal, já era outono e ela, como tudo, deveria estar pronta pra se recolher, desprender e dar lugar. .
Saboreou o café fresco e bem quente(como gostava) sem pressa, jornal ao lado- que abriu, meio desinteressado, meio lunático, arrebatado por uma sensação etérea. O gato teve que miar alto pra avisar que a comida havia acabado. Sorriu novamente e encheu-lhe o prato com sua ração preferida.
Saiu caminhando pela rua ainda sem o movimento habitual. Passos largos, sentiu-se livre sem saber porque. Começou a pensar sobre isso. E começou a prestar atenção a tudo à sua volta. Viu o menino passando por ele apressado, mochila nas costas, meio descabelado, cara de sono. Sorriu, sozinho. Lembrou de si mesmo, lá pelos dez anos, relutando em levantar da cama quentinha, e atender ao insistente chamado da mãe: - ''Você só tem 15 minutos até tocar o sinal! Levanta e lava o rosto pra espantar esse sono, menino! Pega meia limpa na gaveta...''
Bons tempos em que sua única obrigação era ir à escola, o que por sorte lhe era agradável, gostava de aprender. Uma sirene tocou estridente e ele nem ouviu. Metido em seus pensamentos, sentiu a brisa refrescar seu rosto. Olhou para o céu e cismou um pouco sobre sua imensidão. -Bonito, refletiu. A vida é bem assim como o céu, imenso até não sabermos onde. Achou bonito porque, afinal, - pensou- é por não sabermos onde vai dar que estamos sempre querendo ir. Mais e mais.
Sorriu novamente e então percebeu que estava feliz! Achou que devia entender o porquê de estar assim. Por que acordara tão bem disposto, com um olhar tão generoso para consigo mesmo e o que o rodeava? Teria sonhado algo prazeroso que não estava conseguindo lembrar? Talvez devesse entender melhor esse sentimento (meio bobo até) de bem-estar, de simpática receptividade a um dia que ainda começava e nem imaginava que rumo iria tomar. Seria mesmo felicidade um estado assim tão sem motivo, sem nada grandioso a envolvê-lo ou palpável a explicá-lo - um momento em que detalhes aleatórios do passado e do presente se unissem numa harmoniosa sensação de bem-estar - , que se bastava por si mesmo, sem se preocupar com nada senão aquele instante?
De novo olhou para o céu. Continuava ali, quieto, nuvens leves passando devagar, quase transparentes, mas era como se o olhassem e dissessem: - ''Não há o que compreender, mistério a desvendar. Não hoje. Talvez não haja motivos, talvez todos os motivos ainda não lhe explicassem.''
Sorriu, e continuou a caminhar. Sem se dar conta, já cantarolava junto com os pássaros.



29 agosto 2010

'Eyes like Butterflies'

Violeta de Outono no Auditório ibirapuera, em apresentação de março/2008. O 'light show' de André Peticov se harmoniza ao som em suave psicodelia!
E a gente dá uma boa viajada...




video sugerido pelo querido André Peticov



I saw your face on the shore
Among the seagulls and the beautifull rocks
Stepping around the gardens
And golden trees
A beautifull place to be with you

Get together
Hand in heart
Happy noises
On a sixties style
In your eyes
Of the morning sun
Eyes of the morning Sun

I heard your voice floating over the ocean
Involving fishes with your smile
Stepping around the castle
Sea sand and me
A beautifull place to be with you

Get togheter
Hand in heart
Happy noises
In a sixties style
In your eyes
Of the morning Sun
Eyes of the morning Sun

Right
At the heart of the Sun
My eyes were born
With butterflies

Eyes of the morning Sun


Composição de Fernando Alge

20 agosto 2010

E tem que regar todo dia

trabalhinho no Paint - Denise, Pedro e Iago


Como a delicada flor
A mais delicada e linda
Que oferece sua beleza em infinitas possibilidades
A sensibilidade pode perceber
Que precisa é do alimento que a natureza lhe dá
Sabendo a hora, o tanto, o jeito
O sopro de vento, o certeiro raio de sol

Tem que regar todo dia
Mesmo sem saber onde vai dar
Que curso de rio irá percorrer
Se as margens irão segurar
Ou que barreiras irão romper

Ainda que tome o tempo todo do mundo
Só para depois ser lançada ao mundo
A inocência é frágil, precisa ser nutrida
Para se transformar sem se perder
Para que se adapte sem se deixar destruir

Tem que trabalhar duro para depois nada ter
Ao contrário, a vida é passar para a frente
O amor que se tem é para dar, formar, propagar
Alimentar a harmonia da vida
Para entender que ela tambem é desordem

E tem que ser todo dia
Por muito tempo, como se fosse a primeira vez
O primeiro bom dia, o beijo de boa noite
A primeira lição, cada conversa, os destemperos tambem
Repetir para sedimentar, reparar para prosseguir

Tem que regar, todo dia
Para que um dia desperte pronto
Para seguir sozinho e inteiro
Sem olhar para trás, as amarras foram soltas
E a liberdade construída em chão sólido
Possa trilhar a realidade sem grandes medos ou ilusões.

Apresentado ao mundo pelo amor
Através dele aprendeu que a vida, afinal
É delicada como a flor.


Denise Alves de Toledo

15 agosto 2010

Quando ficar escuro, eu canto pra você

A letra perde nessa tradução pro inglês. Prefiro em português.

A SUA


Eu só quero que você saiba

Que eu estou pensando em você

Agora e sempre mais

Eu só quero que você ouça

A canção que eu fiz pra dizer

Que eu te adoro cada vez mais

E que eu te quero sempre em paz.



Tô com sintomas de saudade

Tô pensando em você

E como eu te quero tanto bem

Aonde for não quero dor

Eu tomo conta de você

Mas te quero livre tambem

Como o tempo vai e o vento vem


Eu só quero que você caiba

No meu colo

Porque eu te adoro cada vez mais

Eu só quero que você siga

Para onde quiser

Que eu não vou ficar muito atrás



Tô com sintomas de saudade

Tô pensando em você

E como eu te quero tanto bem

Aonde for não quero dor

Eu tomo conta de você

Mas te quero livre tambem

Como o tempo vai e o vento vem



Eu só quero que você saiba

Que estou pensando em você

Mas te quero livre tambem

Como o tempo vai e o vento vem

E que eu te quero livre tambem

Como o tempo vai e o vento vem.

Marisa Monte

11 agosto 2010

PATIFE !

Enquanto não encontro tempo pra escrever minhas próprias palavras (faz falta, mas primeiro as primeiras coisas!), vou mandando coisa que acho boa!
Este vídeo do Paulo Barnabé, com sua Patife Band, é um bônus track do álbum Corredor Polonês, de 87. A composição se chama "Maria Louca".
Vale!


28 julho 2010

Reflexões (3)




"A diferença entre um covarde e um valente é que o covarde pensa duas vezes antes de entrar na jaula com o leão. O valente simplesmente não sabe o que é um leão. Apenas pensa que sabe."

"Falta imaginação à maioria das pessoas supostamente valentes. É como se não pudessem conceber o que aconteceria se alguma coisa saísse mal. Os verdadeiros valentes vencem a sua imaginação e fazem o que deve ser feito."

Charles Bukowski

PENSE.

25 julho 2010

A Rainy Night in Soho - The Pogues

Canção inspirada do 'drunk-punk' Shane MacGowan, meio folk, piano lindo, jazz- trumpete, em letra romântica e realista- levemente melancólica- do jeitinho que eu gosto.



I've been loving you a long time
Down all the years, down all the days
And I've cried for all your troubles
Smiled at your funny little ways
We watched our friends grow up together
And we saw them as they fell
Some of them fell into Heaven
Some of them fell into Hell

I took shelter from a shower
And i stepped into your arms
On a rainy night in Soho
The wind was whistling all its charms
I song you all my sorrors
You told me all yours joys
Whatever happened to that old song
To all those little girls and boys

Now the song is nearly over
We may never find out what it means
But there's a light I hold before me
And you are the measure of my dreams
The measure of my dreams

Sometimes I wake up in the morning
The gingerlady by my bed
Covered in a cloak of silence
I hear you in my head
I'm not singing for the future
I'm not dreaming of the past
I'm not talking of the first time
I never think about the last

Now the song is nearly over
We may never find out what it means
Still there's a light I hold before me
You're the measures of my dreams
The measure of my dreams.

22 julho 2010

Pensando, Sentada num Campo de Trigo

Wheat Fields with Sun, Van Gogh


Gosto de ir longe, porque sou difícil de ir. Mas se longe for entendido como profundo, e quando o profundo for algo que não se possa atingir, não me interessa ir tão fundo. Gosto de realizar. E se para isso os desafios forem imensos- e se calcarem apenas naquilo que sinto, percebo, intuo- eu vou, não importa. Gosto de viver o que sei que posso viver. E se o que posso é muito- transforma, cura- então aceito ir alem. Gosto de estar feliz com alguem. E se estar feliz é idealizar ser feliz, não quero estar com alguem. Prefiro imaginar sozinha como eu gostaria que as coisas fossem. Gosto de dar, na mesma medida em que gosto de receber. E se a troca não for rigorosamente igual, se percebo algum desequilíbrio nessa dinâmica, então não quero mais trocar. Gosto de possibilidades, de ver germinar no tempo e não perco muito tempo com o que é estéril. Gosto de estar interessada. E se estar interessada significa ter milhões de enigmas a decifrar, vou me desinteressando aos poucos. Sou assim, não tão complexa quanto possa parecer, nem tão clara quanto queira esconder. Gosto de olhar e logo ver a nudez. Completa. Inteira. Plena. E se o que eu vir for uma luz estarei lá, ainda que precise soprar para que não se apague. Gosto de ver. E se o que vejo não é o que quero, então não quero mais. É como gesso jogado ao chão, e não me interessa o que é frágil . Gosto de consistência, do palpável, não conjugo o futuro do pretérito, a não ser quando estou só. Tambem gosto de estar só, e se para isso é preciso deixar cair panos de ilusões, então não temo. Gosto do encanto, enquanto posso realizá-lo. O desencanto, prefiro vivenciá-lo sozinha. Eis um fardo que não me incomodo de carregar, o meu. Assim é que sou. E se para continuar indo longe for necessário abandonar cargas pelo caminho, então o farei, sempre que o horizonte que vislumbrei um dia estiver sob ameaça de não ser alcançado.
Denise Alves de Toledo




Obras realizadas durante a internação de Van Gogh em um sanatório em Saint-Rémy

Sintonia



Aquela tarde, amena tarde
Aquele mar, azul mar
Uma nuvem, tão leve nuvem
Me contou um segredo
Tão profundo, o segredo.

Aquela calma, imaculável calma
Aquele ar, doce ar
Um sopro de vento, tão tímido vento
Me trouxe um segredo
Tão singelo, o segredo.

Aquele céu, sereno céu
Aquela areia, sedosa areia
Uma estrela, tão solitária estrela
Me sorriu um segredo
Tão meu, o segredo...
Denise Alves de Toledo


17 julho 2010

REFLEXÕES (2)










"Ninguem nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou, ainda, por sua religião. Para odiar as pessoas precisam aprender e, se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar."

Nelson Mandela (frase sugerida por Adriana Valéria Nascimento)


Tudo parece ser muito simples, às vezes até ingênuo. Porem, quando adquirimos o hábito de parar um pouco para refletir justamente no que é simples e ingênuo, aprofundamos o sentido das coisas, das palavras e podemos descobrir em nós mesmos a origem de sentimentos e a própria maneira de transformá-los em direção à evolução de nossa condição humana.
PENSE.

04 julho 2010

"Futebolation"



Aaaaahhh, que não resisto!
O futebol é uma coisa tão louca quanto as paixões geralmente o são.
Deve incluir meio mundo, essa paixão; uma pandemia permanente!
Tudo começa com o que há de mais simples, numa forma perfeita: a bola!
E se complementa com um gesto quase instintivo: chutá-la!



Não sei se foram os ingleses ou os gregos que inventaram a bola mas, certamente, é um forte símbolo presente no inconsciente coletivo da humanidade, sabe-se lá desde quando.

















Tambem não sei muita coisa sobre a poética contida no futebol.
Resolvi, então, inserir uma 'postagem-cópia' (devidamente creditada no final) de frases de pessoas ligadas de alguma maneira ao esporte mais popular do planeta.
Aí vai:
"Clássico é clássico. E vice-versa." - Jardel, ex-atacante do Grêmio e da Seleção Brasileira

"O meu clube estava à beira do precipício, mas tomou a decisão correta: deu um passo à frente." -João Pinto, jogadro do Clube do Porto, de Portugal.

"Fiz que fui, não fui, e acabei fondo." -Nunes, ex-atacante do Flamengo.

"Não me venham com problemática, que eu tenho a solucionática." -Dadá Maravilha

"Não foi nada de especial, chutei com o pé que estava mais à mão." - do mesmo João Pinto...

"Chegarei de surpresa, dia 15, às 2 da tarde, vôo 619 da Varig..." -Mengalvio, ex-meia do Santos, em telegrama à família quando em excursão pela Europa

"Jogador tem que ser completo como o pato, que é um bicho aquático e gramático." -Vicente Matheus, eterno presidente do Corinthians

"Jogador é o Didi, que joga como quem chupa laranja" -Neném Prancha, ex-roupeiro do Botafogo e filósofo da bola

"O Sócrates é invendável e imprestável." -Vicente Matheus

"Bom, eu não achei nada, mas o meu companheiro ali achou uma correntinha; acho que é de ouro, dá pra ele vender." -Josimar, ex-lateral do Botafogo, ao ser perguntado sobre o que ele achou do jogo

"Não sei, a bola foi indo, indo...e iu!" -Nunes, ex-atacante do Flamengo ao comentar um gol que tinha feito

"Quando o jogo está a mil, minha naftalina sobe." -Jardel, ex-atacante do Grêmio

"Campeonatinho mixuruco, nem tem segundo turno!" -Garrincha, na comemoração da conquista da Copa de 58

"A moto eu vou vender, o rádio eu vou dar pra minha tia." -do mesmo Josimar, ao responder o que faria com o Motoradio que ganhou por ter sido escolhido o melhor do jogo

"Tanto na minha vida futebolística, quanto com a minha vida ser humana..." -do mesmo Nunes...

"Só existem 3 coisas que param no ar: beija-flor, helicóptero e Dadá!" - Dadá...

"Haja o que hajar, o Corinthians vai ser campeão!" - Vicente Matheus

"Que interessante, aqui no Japão só tem carro importado!" -Jardel, referindo-se aos Toyota e Mitsubishi...

"Eu disconcordo com o que você disse." -Vladimir, ex-meia do Corinthians, numa entrevista à rádio Record

"Nem que eu tivesse dois pulmões eu alcançava essa bola!" -Bradock, amigo de Romário, reclamando de um passe longo

"A partir de agora, meu coração tem uma só cor: rubro-negro!" -Fabão, zagueiro baiano, ao chegar ao Flamengo

"Você viu, Didi, o São Cristovão tá de uniforme novo!" -Garrincha, na Copa de 62, reparando no uniforme dos ingleses

"Comigo ou sem migo o Corinthians será campeão." -V. M.

"Técnico bom é aquele que não atrapalha." -Romário

"E aí, King, tudo bem? -Mário Trigo, médico brasileiro em 58, após abraçar efusivamente o Rei Gustavo, da Suécia, que entregava a taça aos brasileiros

"Não tem outra, temos que jogar com essa mesmo." -Reinaldo, do Atlético, ao responder se jogaria com aquela chuva

"Está sendo massageado o seu membro em pé." -o locutor interno, reportando sobre o atendimento na lateral do gramado, pelo massagista, ao jogador que se mantinha em pé e que se machucara violentamente na coxa

"A falha individual é coletiva." -Luxemburgo, explicando a derrota do Brasil para o México na Copa das Confederações de 99

"O difícil, vocês sabem, não é fácil." -(preciso dizer de quem...?)

"Fomos e voltemos. Não ganhemos nem perdemos. Empatemos." -Buiú, do Bahia


Deu pra pegar o espírito da coisa, né...?!




* retirado do site http://www.sitequente.com/

29 junho 2010

REFLEXÕES (1)

Início de uma série de trechos de autores que leio, sugerindo reflexões para quem estiver a fim.
Refletir sempre leva ao crescimento se estivermos abertos, internamente.

Os textos serão inseridos periodicamente, conforme tocarem a mim e me levarem a querer compartilhar neste espaço.





A Liberdade e a Justiça

"A revolução do século XX separou arbitrariamente, para fins desmesurados de conquista, duas noções inseparáveis. A liberdade absoluta mete a justiça a ridículo. A justiça absoluta nega a liberdade. Para serem fecundas, as duas noções devem descobrir os seus limites uma dentro da outra. Nenhum homem considera livre a sua condição se ela não for ao mesmo tempo justa, nem justa se não for livre. Precisamente, não pode conceber-se a liberdade sem o poder de clarificar o justo e o injusto, de reivindicar todo o ser em nome de uma parcela de ser que se recusa a extinguir-se. Finalmente, tem de haver uma justiça, embora bem diferente, para se restaurar a liberdade, único valor imperecível da história. Os homens só morrem bem quando o fizeram pela liberdade: pois, nessa altura, não acreditavam que morressem por completo."

Albert Camus, in "O Mito de Sísifo"

PENSE.

27 junho 2010

Maybe

Pode ser
Talvez
Eu sinta muito
Eu sinta tudo

O que é e o que não pode ser

Pode ser
Quem sabe
Eu pense muito
Eu pense tudo

O que eu vou e o que eu não vou dizer

Pode ser
Por mero acaso
Eu veja muito
Eu veja tudo

O que eu quero e o que eu não quero ver

Pode ser
Que um dia qualquer
Sem querer
Saber

O que eu penso
O que eu sinto
O que eu vejo
O que eu quero

Seja muito
Seja tudo
O que vai acontecer
E aí já não mais importe
Quem sabe?...


Denise Alves de Toledo





Moon-Woman Cuts the Circle - Pollock, 1946

24 junho 2010

Meu São Joãozinho

Eu não sei direito como funcionam essas coisas aí em cima, mas como o senhor é primo do 'homem', poderia intervir pra que Ele dê uma aliviada pro pessoal lá das Alagoas e de Pernambuco.




A coisa tá triste, meu querido São João e o senhor- que tambem é padroeiro dos adoentados- pelo jeito vai ter muito trabalho, pois as águas dos rios que transbordaram e arrasaram várias cidades de lá, têm grande concentração de esquistossomose- uma doença esquisita e feia como tantas que temos por aqui.
Dá uma sensação de impotência irremediável ver pela televisão as imagens de sofrimento e desespero das pessoas, em sua maioria já tão privadas de tudo, nesta região que distoa do fato de estar localizada num país tão rico...
Sabe, querido São João, não se sabe bem o porquê, mas a chuva se concentrou perto dos leitos dos rios, o que os fez transbordar com uma violência tamanha que parecia o mar- que ali não há- engolindo tudo o que via pela frente. Não sobrou nada e, para abrigar as pessoas, tiveram que levá-las para o alto das colinas, onde fica a parte alta das cidadezinhas.
Sem querer exagerar, meu santinho, ouvi dizer que os bombeiros que ali chegaram- os mesmos que estiveram no Haiti- disseram que estava tudo muito parecido com o que viram por lá, onde o terrível terremoto matou e destruiu tanto!


E assim, este ano não puderam comemorar o seu dia, São João, com a alegria das festas que costumam organizar com tanta dedicação. As bandeirinhas coloridas penduradas nas ruas viraram, junto com todo o resto da cidade montes e montes de barro e desolação.
Espero que até o final deste mês marcado pelas festas- que surgiram em sua homenagem(chamavam-se 'joaninas' por sua causa, lembra?) e se estenderam aos outros queridos Santo Antonio e São Pedro- as pessoas daquele lugar possam ter o alento de que tudo poderá recomeçar.
Sob vossa benção e proteção!
Amém.
Denise Alves de Toledo

23 junho 2010

RESPIRE FUNDO - Walter Franco


Abra os braços

Respire fundo

E corte os laços todos deste mundo

Com a sua imagem e semelhança

Nos mesmos traços de uma criança


Muito mansa e muito louca

Com a sua voz na minha boca

Um segundo Jesus Cristo

Por todos nós, por tudo isso



Nem sei dizer o quanto essa música me diz . É cósmico, é arquetípico, sei lá!

Melhor ouvir.




12 junho 2010

Distorções, Perversões e Só



O olhar esbugalhado não mente, não engana
O peso é triste, se arrasta, e o que vê pela frente,
E é repulsivo.
Mórbido.

Apesar da compulsão de ter/reter
Afugentar recalques- devem ser tão doídos
Esquecidos a quais duras penas
O que acontece é que se fortalecem, mais e mais
Cristalizam-se, os complexos.
Pelo corpo truculento- ações, ardis nada exemplares
Se denuncia, sem reconhecer
Seria como enxergar a sua hediondez
Não pode.

Passam-se os tempos, todos, os fatos, os desatinos, estragos
Voltas e voltas, disfarces- egocêntricos e feridos
Para cair sempre, e de novo, eterno ciclo que não se rompe
Naquele enorme vazio (mas só queria fugir...!)
E apesar de maldizer a qualquer um por seu infortúnio
Conhece muito bem (velho parceiro)
O volume, o exagero da sua gula, da sua gana, do seu horrível olhar voraz

Freud's Perverse Polymorph (Bulgarian Chil Eating a Rat)-1939-Salvador Dali

Da perversidade latente
Que surrupia, ao invés de criar
Mente
Acumula, sabendo que nada tem- fome que nunca irá passar ( mas não percebe)
Agrega em si, tristemente e tudo, incapaz de equilibrar, dar forma, harmonizar


Nunca a redenção
Nunca a singela alegria
Tomará a expressão do rosto, só pela vida
Ingênua, gratuita
Nunca sem arroubos para justificar (de novo, o peso)

E o que faz, para manter o absurdo de si mesmo
É oferecer-se a lentes de visão distorcida (presa fácil)
Que não podem - frágeis, alteradas, doentes
Traduzir o que realmente vêem à frente.
O que, afinal, talvez seja só o que lhe caiba.

Bom seria se todos pudessem ser felizes em sua insanidade.
Denise Alves de Toledo




Obra de Lucien Freud

02 junho 2010

Beijo na Boca

Rodin



Fonte e essência.
O encontro.
Irá tocar onde o corpo vira alma...
Exatamente.

O começo.

Por onde inicia a caminhar,
por onde seguirá...
Eternamente.

Entranhas.

Mistura intensa e rara,
e a intimidade se dá...
Profundamente.

Entrega.

O tempo se desfaz, é sensação, agora.
O fora tambem; é dentro, é longe.
É.
Tão longe, vai...
Tão longe vão.
Fusão.

Fechar os olhos e querer ver.
Permitir.
Ir...
E se encontrar.
Se deixar, se abandonar
só um pouquinho,
pra ser um sem estar só...
O medo não mais resiste.
Desiste,
e depois a gratidão
pelo amor que, então,
acontece.
Trazendo mais e longos beijos, assim...
Denise Alves de Toledo


Rodin
 
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