TUDO, ALIÁS, É A PONTA DE UM MISTÉRIO
HÁ RAZÕES E RASÕES
VIVER É IMPOSSÍVEL...

Guimarães Rosa

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24 março 2011

Colegio Santa Marcelina

Dos 5 aos 16 anos estudei neste colégio situado no bairro de Perdizes, um dos religiosos mais tradicionais de São Paulo, que existe desde 1927.

Sempre quis escrever sobre ele, com seu lindo e imponente prédio em arquitetura gótico lombardo que ocupa boa parte de um dos enormes quarteirões da rua Cardoso de Almeida.
Não consegui obter quase nada em imagens, por isso fica mais como uma homenagem deste que foi o domicílio de meu aprendizado, de meu desenvolvimento, de muitas descobertas, dúvidas, aprontações, acolhimento...Da obtenção de algum sentimento de segurança, de proteção, apesar do ambiente de severa autoridade. Acho mesmo que ali começou minha vivência cheia de paradoxos. Deus, pecado, transgressão, culpa, rebeldia, ali tambem estabeleceu-se meu talento para ser a 'bagunceira queridinha dos professores'- boa aluna que era- cuja garantia de impunidade veio a me prejudicar mais tarde. Não vou me aprofundar em minha vivência por lá e tudo que aprendi, de bom ou nem tanto.
Mais vale lembrar de como era instigante explorar os aposentos proibidos, de como tudo atiçava a curiosidade, farejando mistérios, mundos ocultos, impregnados pela aura católica em cada canto, em cada imagem, no olhar quieto e tímido em algumas irmãs, ou desafiador e altivo em outras tantas. Naturalmente assimilei que o catolicismo era portador de segredos insondaveis, e cheio de contradições. Mais vale lembrar dos lanches preciosos ali produzidos - os bolachões de chocolate eram inesqueciveis, assim como os generosos pedaços quadrados e grossos da legítima pizza napolitana! Do ar austero que me soava tão natural. Das escadarias, passagens, corredores, salões imensos com mobiliario e apresentação impecaveis (um chão de tábuas de madeira tão compridas e tão enceradas, como nunca mais vi em lugar algum). Do carinho e cumplicidade sincera das irmãs que faziam tudo para nos agradar, assim como da dedicação mais ríspida e rigorosa de outras em proporcionar uma base cultural sólida e só, nos moldes dos internatos católicos europeus. Não era o que 'me pegava', instintivamente descobri que à latente intolerancia e autoritarismo bastava reagir com certo desprezo e com a eficiencia esperada.
Pouco tempo atrás descobri várias cartinhas que trocava com minhas professoras, todas freiras, por ocasião das férias. Mensagens cheias de carinho, daquele que se espera quando falamos do amor de Deus, de Fraternidade. Talvez o fato de ter experimentado essa proximidade afetiva com as irmãs tenha amenizado os efeitos da repressão inerente à educação católica tradicional. Não que eu não os tenha sofrido. Mesmo com toda terapia, com todo posicionamento contestatório com que assumi minha vida e até por isso mesmo(pelo paradoxo que isto implica), posso dizer que ainda estão em mim. Em paz, sem rancores, com amor.
Não era um ensino forte, 'puxado' no conteúdo, a despeito de um Dante Alighieri, por exemplo - onde algumas amigas que para lá foram sofreram bocados para se adaptar ao ensino. Exclusivamente feminino, o objetivo maior era formar moças de família, preparando-as para um bom casamento nos (já bem ultrapassados) moldes burgueses. Assim, aulas de bordado, boas maneiras, orfeón, tinham tanta importancia quanto a matemática, literatura ou a história do mundo. Ah, e religião, claro! Azar e sorte minhas, que obtive um sólido material para ser 'filtrado' mais tarde. E sei bem o que ficou dele.
Bem, o colégio se modernizou, o que parecia improvável em minha época e hoje abriga uma conceituada faculdade de moda, design e outros cursos contemporaneos, comprovando que as mudanças se impõem com o tempo, até nos meios mais rígidos.

A seguir as imagens que consegui obter da parte antiga da construção, que sem dúvida tem seu valor histórico nas memorias desse tradicional bairro de São Paulo.







Para Beatriz Salmeron, Mª Cristina Cavalcanti de Almeida, Maria Evelina Prado Suzuki, Maria Regina Iglesias Sandra Noal, Claudia Marechal, Paula Marechal, Iná Macchione Rebouças, Leymar Bittencourt de Carvalho, Elimar Marchetti e...ufa! toda mulherada que reencontrei recentemente, sem nem perceber que já havia se passado tanto tempo!

13 abril 2010

Uma Bela Sugestão




"NÃO TENTO DANÇAR MELHOR DO QUE NINGUEM. APENAS TENTO DANÇAR MELHOR DO QUE EU MESMO."

















MIKHAIL BARYSHNIKOV

14 dezembro 2009

Luke, o gato mais lindo do mundo- por Iago




era uma vez um gato que chamava luke e ele era o gato mais preguiçoso da casa! ele só fazia tudo aos poucos ele não saia a noite,não saia de tarde e de mãnha ele só ficava deitado na escada ou no sofa ou na varanda! éra o melhor lugar do mundo para ele. E o luke sempre falava assim pôssa, mami!, eu sou macho...! mas quando ele morreu todo mundo da familia ficou chorando por dois dias e duas noites e a minha mãe colocou um pau de uma amora e ele vai virar um adubo para a amoreira! e eu e o meu irmão mostramos para os nossos amigos onde que ele está!
Iago

Mulberry Bush


The children form into a ring, and holding hands run round and sing: -

"Here we go round the mulberry bush,

The mulberry bush, the mulberry bush;

Here we go round the mulberry bush

On a cold and frosty morning."



13 dezembro 2009

Baboushka !!!



Papai Noel
Pai Natal
Santa Claus
Father Christmas
Babbo Natal
Père Noël
Kriss Kringle
Jultomten
Kerstman
Joulupukki
...

Para Pedro, Iago e todos os que ainda são pequenos

29 novembro 2009

Sobre o que eu não sei dizer para Luke







ODE AO GATO
Pablo Neruda

Os animais foram
imperfeitos
compridos de rabo, tristes
de cabeça.
Pouco a pouco se foram
compondo,
fazendo-se paisagem,
adquirindo pintas, graça, vôo.
O gato,
só o gato
apareceu completo
e orgulhoso:
nasceu completamente terminado,
anda sozinho e sabe o que quer.
O homem quer ser peixe e pássaro,
a serpente quisera ter asas,
o cachorro é um leão desorientado,
o engenheiro quer ser poeta,
a mosca estuda para andorinha,
o poeta trata de imitar a mosca,
mas o gato
quer ser só gato
e todo gato é gato
do bigode ao rabo,
do pressentimento à ratazana viva,
da noite até os seus olhos de ouro.


Não há unidade
como ele,
não tem
a lua nem a flor
tal contextura:
é uma coisa só
como o sol ou o topázio,
e a elástica linha em seu contorno
firme e sutil é como
a linha da proa
de uma nave.
Os seus olhos amarelos
deixaram uma só
ranhura
para jogar as moedas da noite.


Oh pequeno
imperador sem orbe,
conquistador sem pátria
mínimo tigre de salão, nupcial,
sultão do céu
das telhas eróticas,
o vento do amor
na intempérie
reclamas
quando passas
e pousas
quatro pés delicados
no solo,
cheirando,
desconfiando
de todo o terrestre,
porque tudo
é imundo
para o imaculado pé do gato.


Oh fera independente
da casa, arrogante
vestígio da noite,
preguiçoso, ginástico
e alheio,
profundíssimo gato,
polícia secreta
dos quartos,
insígnia
de um
desaparecido veludo,
certamente não há
enigma
na tua maneira,
talvez não sejas misterio,
todo mundo sabe de ti e pertence
ao habitante menos misterioso,
talvez todos acreditem,
todos se acreditem donos,
proprietários, tios
de gatos, companheiros,
colegas,
discípulos ou amigos
do seu gato.


Eu não.
Eu não subscrevo.
Eu não conheço o gato.
Tudo sei, a vida e seu arquipélago,
o mar e a cidade incalculável,
a botânica,
o gineceu com os seus extravios,
o pôr e o menos da matemática,
os funis vulcânicos do mundo,
a casaca irreal do crocodilo,
a bondade ignorada do bombeiro,
o atavismo azul do sacerdote,
mas não posso decifrar um gato.
Minha razão resvalou na sua indiferença,
os seus olhos tem números de ouro.


(Navegaciones y Regresos, 1959)




'Girassol' - acrílico sobre tela, de André Peticov

28 junho 2009

MICHAEL, MICHAEL, MICHAEL



















Anjo.
Gabriel, Rafael, Michael ( Miguel )

Rei.
Gênio, ingênuo, homem, menino?
Branco, negro, pálido, multicor...
Máscara que escancara.
Virgem.
Virgem, Plutão, Sol.
Isolado em conjunção onde tudo é oculto.
Exilio.
O brilho dado em sacrifício...
Humano.
Sereno, meigo...entidade, et?
Delírio, suavidade, doçura;
Flutua, encanta, dança e canta...
A Voz.
É Luz.
É Negro dentro.
O corpo fala...
Manso, intenso, sensual, visceral.
E se esvai...
Ascende, hipnotiza, evapora.
Desvanece, desconfigura, e vai embora...
Um sopro, um fluido.
Transmuta, adormece, voa.
O infinito guarda um lugar encantado;
seu passo lunar o leva para lá.
Lunático e leve, tão leve, o compasso...
E os anjos lhe aguardam dançando;
brancos, as almas são negras.
Não importa a cor.
Era o que queria dizer...
Não poderia aguentar, seu corpo.
Agora, enfim, esquecer a dor
E sentir apenas o redentor e eterno
Torpor.

Denise Alves de Toledo



 
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