TUDO, ALIÁS, É A PONTA DE UM MISTÉRIO
HÁ RAZÕES E RASÕES
VIVER É IMPOSSÍVEL...

Guimarães Rosa

28 outubro 2010

À Natureza, Eternamente



Mas que dia é esse
Tão perfeito, claro
E morno na medida?

Que mar é esse
Estonteantemente azul em movimento
De orquestra?

Que luz que acalenta, esquenta e ilumina
O coração
Que benção é essa que chega de repente
Singela e soberana?

Que maravilhosa constatação
A de que tenho olhos para ver
Tanto...!

Desfruto, contemplo, me enlevo
Leve vou
Celebro, agradeço, percebo
As sutis, delicadas, cálidas ondas
Do vento.

Sorvo, trago e me inebrio
Sem pressa, sem aquela
De desesperar
Solto o laço que prende o tempo
E me abandono, como em oração.

Assim ela ressurge, toma conta,
Cala a tudo
Mágica que só a ela obedece
E nem precisa gritar
Pois nunca se perde, não se corrompe
Jamais...

Filha legítima da Criação
Aqui está e sempre estará
Mesmo quando não mais os olhos
Para ver!


foto de Mari Toledo

19 outubro 2010

À Chuva, que é Vida Bem-Vinda!

"Eu tava comemorando a chuva depois de uma longa seca. As gotas d'água pareciam pérolas, talvez algum tipo de prêmio valioso. Talvez a composição seja sobre isso mesmo, uma renovação."


Hélio Silva


Mato Molhado - foto de Hélio Silva



para ver mais fotos do autor: http://www.flickr.com/photos/heliosilva/

15 outubro 2010

Não o Tempo; Só Silêncio



Atordoada com palavras tento escapar
Ziguezagueio em meio a verdades
Tiroteio de ilusões
Não consigo me ouvir
Não quero, não quero!


Encolhida em minha quietude anseio
Pelo silêncio
Penso no tempo, logo irá passar
Mas logo volta a torrente das vozes
Anunciando respostas, travestidas de deuses!


Volto o olhar para o céu, e o que vejo é o passado
Será que isso não basta?
Tão presente, e tão inatingível!
Me aconchego, então, em seus braços
Não me deixe enganar, não me deixe...


Me deixo levar, já não importa
Os gritos lá fora já não me ensurdecem
Me solto, completamente e forte
Os sons emudecem e fracos
O universo é silêncio, e me acolhe.

É só o que quero, não desvendá-lo.



Red Balloon-Paul Klee, 1922

06 outubro 2010

Chorando no Campo - Lobão

A chuva cai chorando

E meu amor vai e vem

No céu o chão a rede vai (me vai levando)

A noite alem da noite

Me faz lembrar

O que não vivi

E toda essa história

Esse segredo

Memória num vendaval

Pela estrada enquanto eu passo

O cinema é só ilusão

Vou chorando pelo campo

No meio do temporal

A chuva dá saudade

De um lugar que eu nunca fui

E o vento vai soprando o choro tão distante

Pela estrada enquanto eu passo

O cinema é só ilusão

Vou chorando pelo campo

No meio do temporal

03 outubro 2010

Boa Eleição, Brasileiros!

23 setembro 2010

Nem Sempre Amor

Demorei a perceber, ou fui percebendo aos poucos: você estava feliz. Não a tranquilidade forçada, o sorriso doído, as palavras calculadas. Te vi desarmado, sem se dar conta de que corria o risco de ficar entregue. Tanto teatro pra nada!
Não foi porque quis que vi, não esperava você assim, tão nu. Sei lá, talvez as palavras acabaram por te enfraquecer, tanto tempo, quantos recomeços do mesmo ponto. Talvez a ingenuidade com que tudo era tratado tomou conta da cena e ao longo dos intermináveis- e incrivelmente perseverantes- dias tornou desnecessário manter o personagem. Ou inútil, quem sabe.
Só sei dizer que me surpreendi! Por um momento fiquei a contemplar, naquele instante estive a te observar de longe, não misturada.
Passei então a pensar o que você faria, assim que algo em você mesmo o chamasse de volta. Sim, porque isso iria acontecer, não iria aguentar correr o perigo de tornar-se um idiota.
Depois que te olhei assim, de fora, não consegui mais voltar, pois já estava com as armas nas mãos.

O Amor é uma Arte? e a Arte...Ilusão ?

17 setembro 2010

REFLEXÕES (4)


"Por mais que aparentemente o discurso seja pouco importante, as interdições que o atingem logo e depressa revelam a sua ligação com o desejo e com o poder. E o que há de surpreendente nisso, já que o discurso - como a psicanálise nos demonstrou - não é simplesmente o que manifesta(ou oculta) o desejo; é tambem o que é o objeto do desejo; e já que - a história não cessa de nos indicar - o discurso não é simplesmente o que traduz as lutas ou os sistemas de dominação, mas aquilo por que, aquilo pelo que se luta, o poder do qual procuramos apoderar-nos."

Michel Foucault, in 'A Ordem do Discurso'

PENSE.

 
Licença Creative Commons
Apenas Conto o que Senti de Denise Toledo é licenciado sob uma Licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivs 3.0 Unported.
Based on a work at apenascontooquesenti.blogspot.com.