Pasiphae Embracing an Olive Tree- Serigraph by Henry Matisse, a quem Miller considerava um 'vidente dançarino'Segue um fragmento do livro Sexus, primeiro da trilogia completada por Plexus e Nexus, de Henry Miller:
"Eu a amo, de corpo e alma. Ela é tudo pra mim.
E no entanto não se parece em nada com as mulheres sonhadas, aquelas criaturas ideais que eu adorava quando menino. Não corresponde a nada que eu tenha concebido na profundeza de meu ser. É uma imagem totalmente nova, algo estranho, algo que o Destino roubou de alguma esfera desconhecida para lançar em meu caminho. Olhando pra ela, amando-a pedacinho por pedacinho verifico que a sua totalidade me escapa. Meu amor se acrescenta como uma soma, mas ela, a mulher que procuro com um amor desesperado e faminto, me escapa como um elixir. É completamente minha, de uma maneira quase servil, mas eu não a possuo. Eu é que sou possuído. Sou possuído por um amor que nunca antes se tinha oferecido a mim: um amor absorvente, amor total, amor até as unhas do pé e a sujeira debaixo delas - e, no entanto, minhas mãos estão sempre esvoaçando, sempre procurando agarrar e segurar, aprisionando o vácuo."
Gosto muito dessa obra do autor, apesar de não ter lido a trilogia toda e ter como preferido o seu 'Trópico de Câncer'.
Esse trecho que escolhi me toca por expor tão claramente a fragilidade experimentada por ele (seus personagens sempre retratavam a ele, de alguma forma) ao se confrontar com o amor em sua forma mais espontanea e desavisada que, tirando-o do que lhe era conhecido e controlável, o deixava paralisado e impotente, se lhe mostrava disponível e ao mesmo tempo, inatingível...muito lindo e muito lúcido.



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