TUDO, ALIÁS, É A PONTA DE UM MISTÉRIO
HÁ RAZÕES E RASÕES
VIVER É IMPOSSÍVEL...

Guimarães Rosa

24 outubro 2009

Aprendendo a subir














A seguir, "Instruciones pra subir una escalera", por Julio Cortázar:


Nadie habrá dejado de observar que con frecuencia el suelo se pliega de manera tal que una parte sube en ángulo recto con el plano del suelo, y luego la parte siguiente se coloca paralela a este plano, para dar paso a una nueva perpendicular, conducta que se repite en espiral o en linea quebrada hasta alturas sumamente variables. Agachándose e poniendo la mano izquierda en una de las partes verticales, y la derecha en la horizontal correspondiente, se está en possessión momentánea de un peldaño o escalón. Cada uno de estos peldaños, formados como se ve por dos elementos, se sitúa un tanto más arriba e adelante que el anterior, principio que da sentido a la escalera,ya que cualquiera otra combinación producirá formas quiçá más belas o pintorescas, pero incapaces de trasladar de una planta baja a un primer piso.

Las escaleras se suben de frente, pois hacia atrás o de costado resultan particularmente incómodas. La actitude natural consiste em mantenerse de pie, los brazos colgando sin esfuerzo, la cabeza erguida aunque no tanto que los ojos dejen de ver los peldaños inmediatamente superiores al que se pisa, y respirando lenta e regularmente.



"Nu Descendant un Escalier", Marcel Duchamp


Para subir una escalera se comienza por levantar esa parte del cuerpo situada a la derecha abajo, envuelta casi siempre en cuero o gamuza, y que salvo excepciones cabe exactamente en el escalón. Puesta en el primer peldaño dicha parte, que para abreviar llamaremos pie, se recoge la parte equivalente de la izquierda ( también llamada pie, pero que no ha de confundirse con el pie antes citado), y llevándola a la altura del pie, se le hace seguir hasta colocarla en el segundo peldaño, con lo qual en éste descansará el pie, y en el primero descansará el pie. ( Los primeros peldaños son siempre los más dificiles, hasta conseguir la coordinación necesaria. La coincidencia del nombre entre el pie y el pie hace dificil la explicación. Cuidese especialmente de non levantar al miesmo tiempo el pie y el pie).


Llegado en esta forma al segundo peldaño, basta repetir alternadamente los movimientos hasta encontrarse con el final de la escalera. Se sale de ella fácilmente, con un ligero golpe de talón que la fija en su sitio, del que no se moverá hasta el momento del descenso.


FIN





















Artists Demonstrating a Step of the Lindy Hop

22 outubro 2009

Doux...



On me dit que nos vies ne valent pas grand chose
Elles passent en un instant comme fanent les roses.
On me dit que les temps qui glisse est un salaud
Que de nos chagrins il s'en fait des manteaux.

Pourtant, quelqu'un m'a dit
Que tu m'aimais encore,
C'est quelqu'un qui m'a dit que tu m'aimais encore.
Serais ce possible alors?

On dit que le destin se moque bien de nous
Qu'il ne nous donne rien et qu'il nous promet tout
Paraît qu'le bonheur est à portée de main,
Alors on tend la main et on se retrouve fou.

Mais qui est ce qui m'a dit que toujours tu m'aimais?
Je ne me souviens plus c'était tard dans la nuit,
J'entend encore la voix, mais je ne vois plus les traits
"il vous aime, c'est secret, lui dites pas que j'vous l'ai dit"

Tu vois quelqu'un m'a dit
Que tu m'aimais encore, me l'a t'on vraiment dit...
Que tu m'aimais encore, serais c'est possible alors?

On me dit que nos vies ne valent pas grand chose,
Elles passent en un instant comme fanent les roses
On me dit que les temps qui glisse est un salaud
Que de nos tristesses il s'en fait des manteaux.

Pourtant, quelqu'un m'a dit
Que tu m'aimais encore,
C'est quelqu'un qui m'a dit que tu m'aimais encore.
Serais c'est possible alors?


Carla Bruni

18 outubro 2009

Persona Grata






SHANTI!!!




Pelé disse: "Love, Love, Love..."

Às vezes me pego achando muito estranho falar tanto- e sempre- de amor.
E, cada dia mais, vejo que é temática recorrente em minha vida. Será que virei babaca?- penso. Lesada, careta, crédula, ingênua ou o quê?
Se vou lembrando de mim lá atrás, de minha historia, quanto mais longe o tempo vai na lembrança, mais desconheço a menina que fui, a adolescente, a jovem mãe...
Por que eu brigava tanto? Sei o que me incomodava, mas certas coisas vão incomodar a vida inteira, não posso mudar minha história e sou idiota de menos pra achar que o passado se enterra. Nem se muda. Carrego-o comigo, cada pedaço, se bom ou ruim pouca diferença faz no trajeto. São as minhas experiências, o que importa.
Eu nem sabia abraçar, a não ser namorado! Me sentia esquisita no contato físico que não fosse íntimo. Mas xingar eu sabia. Uma pimenta, o que eu era. Perdeu a graça.
Juro que não é pretensão dizer que eu 'era', sugerindo não mais ser...Como comecei dizendo, acho até estranho, às vezes.
A persona que desenvolvi e que me pegou de jeito, forte e estável, prioriza o amor. Rechaça o rancor, doma a raiva, desvaloriza as mágoas.
Uma opção, o que fiz. Consciente. Aos poucos, mas cultivada. Com dificuldade, muita. Mas o caminho que quero seguir. Não me preocupa não ser fácil. Nunca me atraíram as coisas fáceis.
Não me interessam, absolutamente, os que não praticam o amor. Não vou salvar, consertar, criticar nem impor nada a ninguem. Um horror, isso. Mesmo porque não sei o que é melhor, a não ser para mim e dar conta disso já me é trabalho suficiente.
Eis aí uma tarefa que é só minha, impossível dividi-la sem que ter que abrir mão de minha liberdade. Por isso, inaplicável a mim.
O amor.
É o que quero. É o que vivo, em cada detalhe das minhas coisas. Do sorriso que dou a um estranho, da comidinha que faço- quando quero- bem feita. Das palavras que digo a quem queira ou precise ouvir. Do ócio- compartilhado quando possível- para recarregar energias. Do absoluto estado de contemplação da natureza, que me alimenta com sua perfeição. Da receptividade que tenho ao carinho com que me presenteiam a toda hora, com tanta generosidade, e que - hoje - entendo merecer.
Humildade, ainda estou longe! Sempre estarei, mas colei nela. Absorvo sua mensagem, um tantinho me transformo e me torno um pouco melhor do que antes. Melhor para mim, do jeitinho que eu quero.
E ainda que às vezes ache muito estranho tudo isso - que pieguice incurável é essa que se instalou em mim? - vejo que é porque me deixa leve. O amor é leve. E aguenta carregar qualquer peso...
É gostoso falar dele o tempo todo. A todo momento, tê-lo como foco.
Perdão.
Eis uma palavra que tambem está distante de minhas ambições.
Não me seduzem teorias de 'auto-ajuda'. Nem dou bola, acho auto-ilusão, hipocrisia e manipulação, tal como é vendida.
Esse papo de perdão tem a ver com Deus, é completamente particular e diz respeito só a mim e a Ele. Não tenho poder para perdoar a ninguem e só posso ser perdoada daquilo que, de verdade, enxergo como um erro que tenha cometido. E do qual venha a me arrepender. Não me punir, mas sinceramente me arrepender. E reparo-o, me comprometendo comigo mesma a não negligenciá-lo em favor de meu ego.
Amor, sempre.
O que, muitas vezes, traduz-se apenas em não atingir ao outro, não atravessar o caminho do outro para avançar no meu. É simples, o amor. É fraterno, é um estado de espírito, como entendo e gosto disso!
E quando me vem à cabeça essas lembranças de mim mesma, e de meu temperamento sanguíneo (ou qualquer coisa assim), vem junto a certeza de que cada vez mais distante está. Começou como uma opção, e segue com vida própria, posso assim dizer.
Não há sentido naquilo que não me serve. É como se tivesse se tornado 'persona non grata' (com trocadilho e tudo). Não por ter sido errado, ou errático, mas por não me caber mais.
É o que sempre quis para mim. Não sabia, mas já estava em meu jeito de me envolver e envolver as pessoas. Já era essa, a tônica.
Só resolvi ampliar o horizonte e abrir para o mundo uma mensagem que trazia guardada em mim, mas economizava.
E é muito claro...O mundo e as pessoas do mundo querem amor.
Ao menos do mundo tal como eu o vejo. Com meus iguais, mais não precisa.
E é grande, e tem tanta gente...Esse meu mundo!
E chega de falar em primeira pessoa, coisa que tambem não valorizo muito. Exercíco de auto-afirmação, tem que ser muito dosado, senão inebria...
I'M LOVE.
Denise Alves de Toledo

foto de Victor Jorgensen

17 outubro 2009

Brincadeira, Amor, Criança, Tudo





















HAPPY TOGHETER!!!




Juntavam seus filhos e no total dava cinco. Três meninos e duas meninas, todos lindos, cada um de uma cor!
Considerando-se o ar de alegria em seus rostos, tambem, então o numero aumentava para sete.
Sete alminhas puras, brincando ingenuamente -e tão felizes!- numa tarde de sol, céu azul demais da conta e sobremesas geladas e cheias de calda doce.
Os sorrisos no rosto e as bochechas vermelhas expressavam seu vigor, e abraços e beijinhos eram distribuídos generosamente, a todo momento.
Bonito de se ver! O invejoso, certamente morderia os lábios...Nem seria notado, porem, é verdade. Ali imperava o amor e a aura que os circundava protegia-os de qualquer coisa ruim.
Nunca choveria ali, os carros já não passavam, gente triste se alegraria, os ladrões nem se atreviam...
E as rodas eram feitas de cantoria, afinadas pelo espírito de união que ali havia.
As mais simples brincadeiras, pega-pega, pular corda, empinar pipa, amarelinha, desenhos com giz no chão...Eram entremeadas com gargalhadas, tão espontâneas e animadas que deviam ser ouvidas no céu e contagiar a todos os anjos. Bem, mais certo é que os anjos deviam é estar lá, regendo toda a orquestra.
Os dois sorriam, um para o outro, cúmplices naquela celebração, de vida e de amor, fazendo por merecer seu encontro, que juntou tanta gente pequena pelo fato de estarem juntos, e agora estendia isso a tantos outros.
Não enfrentaram juntos a parte mais chata, quando todas aquelas crianças eram tão pequenas e ainda faltava tanto para poderem se expressar de um jeito mais compreensível e pleno, quando tudo tinha que ser menos solto, menos livre e mais serio.
Haviam se conhecido quando as crianças já tinham uma historinha, já haviam passado pelo primeiro começo, já se encontravam um pouco prontas para saber o que é ser feliz!
Com essa sorte, tudo era recheado de gostosuras e 'deliciosidades'...Inclusive falar errado, como era bom!
Ouvir um dos pequenos fazendo um comentario em que a conjugação do verbo se dava na direção contrària às regras gramaticais: -"eu tinha fazido...", "eu se assustei..."- tão bom de ouvir, antes que a ordem das coisas ensine que não pode.
E nesses dias, domingos abençoados que eles decidiram que seriam dedicados ao lazer na rua, ao ar livre, a felicidade se instalava, permeada por um amor que tambem era livre. Pelo respeito que tinham um pelo outro, pela aceitação dos filhos que não eram seus, um prolongamento daquele a quem se ama- verdadeira e incondicionalmente- com quem se quer apenas estar junto. Sem amarras, sem restrições. Sem pressa, sem exigencias. Abertura plena ao amor.
Dividido, somado, acrescentado, multiplicado por mil através daqueles serezinhos que ainda são projetos de gente. Pelo jeito, de gente boa...
E o que é mais importante nessa vida? Do que domingos que unem, a compartilhar um espaço lúdico, conectados com o puro e espontaneo da vida que é brincar! Não fechados numa redoma, mas com todos, abertos ao mundo. Assim, avisaram: - quem quiser pode chegar. A rua é de todos. A liberdade tambem...
E o que era sete, virou dezessete, depois vinte e sete, e mais, e mais...Um pequeno, simples, fraterno e poderoso universo!
Denise Alves de Toledo

















14 outubro 2009

Folias Etílicas


Conhecem o "Les Folies Bergères"...?






































Para se viver nos excessos não é preciso estar embriagado. Quando se refletem em prepotência, não há racionalidade que os controle. Ou espiritualidade que os redima.















O orgulho só se transforma quando se enxerga. Aí, fica-se sóbrio, de verdade.
Calminho...Lá no fundo da alma, onde ninguem pode penetrar.
Tranquilo...Com a consciência leve, o que só com verdade se pode desfrutar.
Sereno...Em estável (porque genuína) harmonia com um Poder Superior.
E pequeno...Seu real tamanho.
O resto é folia. Em que apenas vão se trocando as máscaras.
Denise Alves de Toledo






E o dedo que aponta para o outro não percebe que esconde outros três, voltados para si mesmo.












07 outubro 2009

Julgamento

Theme Last Judgement
Kandinsky
"A Deus rogando e com o malho dando"... Provérbio espanhol

Não é algo muito bom de se fazer, julgar alguem, mal ou bem.
Sem sequer conhecer, talvez tenha apenas ouvido dizer.
Não é sinal da tão alardeada integridade utilizar a razão para distorcer os fatos que não pode compreender, porque não os viveu.
Então, nem pode imaginar. Ou melhor, só o que pode é imaginar.
Procura a tal humildade, é disponível a todos, creia. E deixa para cada 'outro' o cuidar de si.
Aí está o 'simples' de ser feliz.
E o que achar que, porventura, esteja em teu caminho, aquela pedrinha a incomodar...Veja:
Não foi você quem colocou...?
No lugar de tecer hipóteses que venham te confortar, quem sabe a delicadeza poderia ajudar.
Porem, se tua escolha é truculenta, não distorce, se apodera totalmente, para quê justificar?
A vida é porta aberta a você, tambem. Mentir não é lá muito sábio, ainda mais para si mesmo...Bálsamo falso.
Tua boca fala o que gostaria de ouvir, auto-persuasão ingênua sobre o que não sabe o que é.
Vive e deixa viver. Deixa o que não é teu para trás...Julgar não te traz o que não conheceu, não altera o que não viu.
O início, o dentro, o outro lado...Mesmo querendo aí não pode penetrar.
Descontrola, solta e entrega!
Suave, muito suave, eis o rumo.
Não é para chutar a pedra, entende? É pedra, não esfarela com palavras. É, tambem, a pequena gota, com sua persistencia infinita...E mais não preciso dizer.
Sei que é uma pena não se poder mudar o que já é. Mesmo as vontades mais vorazes nunca são onipotentes.
E, de qualquer maneira, escolhas são escolhas, cada um com seu jeitinho.
Ou não...
Depois, resta o resto.
Da estrada...Imprevisível!
Só se sabe de onde vem...
Denise Alves de Toledo

"Fácil é julgar pessoas que estão sendo expostas pelas circunstâncias. Difícil é encontrar e refletir sobre seus erros, ou tentar fazer diferente algo que já fez muito errado. E é assim que perdemos pessoas especiais."
Drummond de Andrade

05 outubro 2009

Para Crescer













Alguns pensamentos budistas:


" A Oração é a Energia da Vida, permeando todo o Universo e tornando-se Força motriz para a Mudança."

"As pessoas não são nobres desde o nascimento, mas se enobrecem através de suas ações. As pessoas não são medíocres desde o seu nascimento, mas tornam-se assim através de suas ações. Se existe alguma diferença entre as pessoas, então essa diferença está somente em suas ações."

"Obviamente, desde que somos seres humanos, eternamente existirão algumas espécies de conflitos, rivalidades ou mesmo divergencias de opiniões. Entretanto, terminantemente, jamais haverá a necessidade de nutrirem-se de ódio ou mesmo matarem-se uns aos outros."

" A Covardia e a Vaidade são os grandes inimigos da prática da Fé. As pessoas com fé inclinadas para a covardia e a vaidade não podem alcançar a Iluminação. A prática da fé é senão o corajoso ato de avançar com espírito de leão nos momentos em que surgem as dificuldades."

"Em nossas vidas há momentos de alegria e sofrimento. Se conseguimos entender que sempre haverá bons e maus, poderemos aprender gradualmente a não esperar somente os bons momentos, e nem a detestar os maus."

"As pessoas de grande arrogancia não possuem integridade, estão vacilando, mudando de opinião conforme a situação."

"Pessoas que odeiam ser superadas pelos seus membros, que ressentem-se de não ser o centro das atenções, que sentem ciúme dessas coisas, possuem uma mente pequena. Elas estão no mais baixo estado da existencia humana e são os mais baixos seres humanos."

"Mesmo que tente distorcer a verdade, certamente chegará o momento em que ela será provada. Devemos comprová-la a todo custo. Da mesma forma, mesmo que o mal seja camuflado por todos os meios, ele será um dia desmascarado, para então encontrar a sua ruína e desaparecer."

"Existe uma única estrada e somente uma, e essa é a estrada que eu amo. Eu a escolhi. Quando trilho nessa estrada as esperanças brotam e um sorriso se abre em meu rosto. Dessa estrada nunca, jamais fugirei."


Namiororenguekio


Para Marisa, Valeria, André e Thiago, meus cunhadinhos da vida inteira...pela bela e sincera entrega a uma vida de Fé.
 
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