
Munch

Do Delírio, do Onírico, do Inconsciente, a essencia.
Como peixe preso na rede esperneava como animal enjaulado urrava silencioso como bandido no irremediável flagrante tentava fugir então os gestos saíam desproporcionais exagerados e o descompasso da voz delatava a emoção e era isso aí estava a origem do descontrole não sabia sentir e todo o esforço para controlar racionalizar a compreensão explodia em ira desespero e confusão a emoção o desorientava e emergia então justificando-se em seu pavor a obssessão em desviar para o intelecto a irracionalidade que o dominava simplesmente não sabia fazer de outro jeito não suportava ser e tudo que o atingisse como possibilidade suave estilhaçava sua couraça e quando era tocado pelo sopro que chega em ondas harmoniosas despertando seu ser dormente a reação era desproporcional ao pequeno e leve estímulo como fagulha que detona a explosão e bastava um olhar ou esboço de palavra que o atingisse em seu medo de delicadeza pois despertava o que em seu pensamento equivocado era sua fraqueza ele desintegrava-se por dentro desconectando-o por fora o que parecia um simples desajeitamento revelava-se completo desequilibrio entre o mental e o físico entre a alma e o corpo o animal e o homem
De
sin
te
gra ç
ão
Levando à ação desconexa que externava através de socos no ar ou em si mesmo tremores tensão nos lábios gestos bruscos dentes cerrados prontos a morder não não era uma ação impulsiva qualquer mas uma pane geral em que os ponteiros ficam rodando para todos os lados ao mesmo tempo não mais cumprindo suas funções de indicar horas minutos segundos certamente se não fosse tão fragmentado poderia ter se transformado em um assassino mas nem isso pois sentia-se antes acuado sempre como se fosse ser atingido com violencia e conter sua propria violencia era a sua resposta ao desespero e o olho saltava em enormes globos de pupilas que de tão assustadas se tornavam assustadoras e essa perda de controle de seu corpo exaurido pela contenção apenas servia desgaste absurdo para nada para evidenciar que tudo absolutamente tudo nele se passava dentro e agora tudo exposto tão vulnerável e por mais que tentasse lutasse contorcesse distorcesse não conseguia transformar em tranquilidade todo aquele sentimento pura dor que destruíra sua alma e que deixara cristalizar-se assim a calma que julgava conseguir aparentar e que na verdade era um torpor que manifestava como resultado desse esforço quase monstruoso em ludibriar a si mesmo caía por terra com peso de chumbo apesar de que normalmente paralisava como falencia do controle da reação que sabia ser vulneravel à qualquer ameaça mas o perigo se dava mesmo quando frente a um estímulo suave porem certeiro tudo podia entrar em total descompasso deixando-o nu e transparente e isso era como seu fim pois o fato é que definitivamente não havia lugar para tranquilidade ali lá onde ele era ou deveria ser ou ter sido havia se perdido em algum lugar que sabia não mais encontraria restando-lhe ser um espectro de ser para não ser de todo mau porem é indiscutível que tranquilidade é dentro ou então é emoção contida ou pior ainda é ausencia de emoção ali e apesar de toda a cena aqui des-configurada fica evidente o quanto é inútil tentar dissimular à luz de certos olhos...
Denise Alves de Toledo





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