TUDO, ALIÁS, É A PONTA DE UM MISTÉRIO
HÁ RAZÕES E RASÕES
VIVER É IMPOSSÍVEL...

Guimarães Rosa

17 outubro 2009

Brincadeira, Amor, Criança, Tudo





















HAPPY TOGHETER!!!




Juntavam seus filhos e no total dava cinco. Três meninos e duas meninas, todos lindos, cada um de uma cor!
Considerando-se o ar de alegria em seus rostos, tambem, então o numero aumentava para sete.
Sete alminhas puras, brincando ingenuamente -e tão felizes!- numa tarde de sol, céu azul demais da conta e sobremesas geladas e cheias de calda doce.
Os sorrisos no rosto e as bochechas vermelhas expressavam seu vigor, e abraços e beijinhos eram distribuídos generosamente, a todo momento.
Bonito de se ver! O invejoso, certamente morderia os lábios...Nem seria notado, porem, é verdade. Ali imperava o amor e a aura que os circundava protegia-os de qualquer coisa ruim.
Nunca choveria ali, os carros já não passavam, gente triste se alegraria, os ladrões nem se atreviam...
E as rodas eram feitas de cantoria, afinadas pelo espírito de união que ali havia.
As mais simples brincadeiras, pega-pega, pular corda, empinar pipa, amarelinha, desenhos com giz no chão...Eram entremeadas com gargalhadas, tão espontâneas e animadas que deviam ser ouvidas no céu e contagiar a todos os anjos. Bem, mais certo é que os anjos deviam é estar lá, regendo toda a orquestra.
Os dois sorriam, um para o outro, cúmplices naquela celebração, de vida e de amor, fazendo por merecer seu encontro, que juntou tanta gente pequena pelo fato de estarem juntos, e agora estendia isso a tantos outros.
Não enfrentaram juntos a parte mais chata, quando todas aquelas crianças eram tão pequenas e ainda faltava tanto para poderem se expressar de um jeito mais compreensível e pleno, quando tudo tinha que ser menos solto, menos livre e mais serio.
Haviam se conhecido quando as crianças já tinham uma historinha, já haviam passado pelo primeiro começo, já se encontravam um pouco prontas para saber o que é ser feliz!
Com essa sorte, tudo era recheado de gostosuras e 'deliciosidades'...Inclusive falar errado, como era bom!
Ouvir um dos pequenos fazendo um comentario em que a conjugação do verbo se dava na direção contrària às regras gramaticais: -"eu tinha fazido...", "eu se assustei..."- tão bom de ouvir, antes que a ordem das coisas ensine que não pode.
E nesses dias, domingos abençoados que eles decidiram que seriam dedicados ao lazer na rua, ao ar livre, a felicidade se instalava, permeada por um amor que tambem era livre. Pelo respeito que tinham um pelo outro, pela aceitação dos filhos que não eram seus, um prolongamento daquele a quem se ama- verdadeira e incondicionalmente- com quem se quer apenas estar junto. Sem amarras, sem restrições. Sem pressa, sem exigencias. Abertura plena ao amor.
Dividido, somado, acrescentado, multiplicado por mil através daqueles serezinhos que ainda são projetos de gente. Pelo jeito, de gente boa...
E o que é mais importante nessa vida? Do que domingos que unem, a compartilhar um espaço lúdico, conectados com o puro e espontaneo da vida que é brincar! Não fechados numa redoma, mas com todos, abertos ao mundo. Assim, avisaram: - quem quiser pode chegar. A rua é de todos. A liberdade tambem...
E o que era sete, virou dezessete, depois vinte e sete, e mais, e mais...Um pequeno, simples, fraterno e poderoso universo!
Denise Alves de Toledo

















14 outubro 2009

Folias Etílicas


Conhecem o "Les Folies Bergères"...?






































Para se viver nos excessos não é preciso estar embriagado. Quando se refletem em prepotência, não há racionalidade que os controle. Ou espiritualidade que os redima.















O orgulho só se transforma quando se enxerga. Aí, fica-se sóbrio, de verdade.
Calminho...Lá no fundo da alma, onde ninguem pode penetrar.
Tranquilo...Com a consciência leve, o que só com verdade se pode desfrutar.
Sereno...Em estável (porque genuína) harmonia com um Poder Superior.
E pequeno...Seu real tamanho.
O resto é folia. Em que apenas vão se trocando as máscaras.
Denise Alves de Toledo






E o dedo que aponta para o outro não percebe que esconde outros três, voltados para si mesmo.












07 outubro 2009

Julgamento

Theme Last Judgement
Kandinsky
"A Deus rogando e com o malho dando"... Provérbio espanhol

Não é algo muito bom de se fazer, julgar alguem, mal ou bem.
Sem sequer conhecer, talvez tenha apenas ouvido dizer.
Não é sinal da tão alardeada integridade utilizar a razão para distorcer os fatos que não pode compreender, porque não os viveu.
Então, nem pode imaginar. Ou melhor, só o que pode é imaginar.
Procura a tal humildade, é disponível a todos, creia. E deixa para cada 'outro' o cuidar de si.
Aí está o 'simples' de ser feliz.
E o que achar que, porventura, esteja em teu caminho, aquela pedrinha a incomodar...Veja:
Não foi você quem colocou...?
No lugar de tecer hipóteses que venham te confortar, quem sabe a delicadeza poderia ajudar.
Porem, se tua escolha é truculenta, não distorce, se apodera totalmente, para quê justificar?
A vida é porta aberta a você, tambem. Mentir não é lá muito sábio, ainda mais para si mesmo...Bálsamo falso.
Tua boca fala o que gostaria de ouvir, auto-persuasão ingênua sobre o que não sabe o que é.
Vive e deixa viver. Deixa o que não é teu para trás...Julgar não te traz o que não conheceu, não altera o que não viu.
O início, o dentro, o outro lado...Mesmo querendo aí não pode penetrar.
Descontrola, solta e entrega!
Suave, muito suave, eis o rumo.
Não é para chutar a pedra, entende? É pedra, não esfarela com palavras. É, tambem, a pequena gota, com sua persistencia infinita...E mais não preciso dizer.
Sei que é uma pena não se poder mudar o que já é. Mesmo as vontades mais vorazes nunca são onipotentes.
E, de qualquer maneira, escolhas são escolhas, cada um com seu jeitinho.
Ou não...
Depois, resta o resto.
Da estrada...Imprevisível!
Só se sabe de onde vem...
Denise Alves de Toledo

"Fácil é julgar pessoas que estão sendo expostas pelas circunstâncias. Difícil é encontrar e refletir sobre seus erros, ou tentar fazer diferente algo que já fez muito errado. E é assim que perdemos pessoas especiais."
Drummond de Andrade

05 outubro 2009

Para Crescer













Alguns pensamentos budistas:


" A Oração é a Energia da Vida, permeando todo o Universo e tornando-se Força motriz para a Mudança."

"As pessoas não são nobres desde o nascimento, mas se enobrecem através de suas ações. As pessoas não são medíocres desde o seu nascimento, mas tornam-se assim através de suas ações. Se existe alguma diferença entre as pessoas, então essa diferença está somente em suas ações."

"Obviamente, desde que somos seres humanos, eternamente existirão algumas espécies de conflitos, rivalidades ou mesmo divergencias de opiniões. Entretanto, terminantemente, jamais haverá a necessidade de nutrirem-se de ódio ou mesmo matarem-se uns aos outros."

" A Covardia e a Vaidade são os grandes inimigos da prática da Fé. As pessoas com fé inclinadas para a covardia e a vaidade não podem alcançar a Iluminação. A prática da fé é senão o corajoso ato de avançar com espírito de leão nos momentos em que surgem as dificuldades."

"Em nossas vidas há momentos de alegria e sofrimento. Se conseguimos entender que sempre haverá bons e maus, poderemos aprender gradualmente a não esperar somente os bons momentos, e nem a detestar os maus."

"As pessoas de grande arrogancia não possuem integridade, estão vacilando, mudando de opinião conforme a situação."

"Pessoas que odeiam ser superadas pelos seus membros, que ressentem-se de não ser o centro das atenções, que sentem ciúme dessas coisas, possuem uma mente pequena. Elas estão no mais baixo estado da existencia humana e são os mais baixos seres humanos."

"Mesmo que tente distorcer a verdade, certamente chegará o momento em que ela será provada. Devemos comprová-la a todo custo. Da mesma forma, mesmo que o mal seja camuflado por todos os meios, ele será um dia desmascarado, para então encontrar a sua ruína e desaparecer."

"Existe uma única estrada e somente uma, e essa é a estrada que eu amo. Eu a escolhi. Quando trilho nessa estrada as esperanças brotam e um sorriso se abre em meu rosto. Dessa estrada nunca, jamais fugirei."


Namiororenguekio


Para Marisa, Valeria, André e Thiago, meus cunhadinhos da vida inteira...pela bela e sincera entrega a uma vida de Fé.

04 outubro 2009

O Punhal - Jorge Luis Borges


e Caim matou Abel...
The Murder,1868

by Paul Cezanne

Em um estojo tem um punhal.
Foi forjado em Toledo, a fins do século passado;
foi dado a meu pai por Luís Melián Lafinur, que o trouxe do Uruguai;
Evaristo Carriego esteve com ele algumas vezes em suas mãos.
Os que o vêem tem que brincar um pouco com ele;
se percebe que faz muito que o buscavam;
a mão se apressa em apertar o cabo que a espera;
a lâmina obediente e poderosa entra com precisão na bainha.
Outra coisa quer o punhal.
É mais que uma estrutura feita de metais;
os homens o pensaram e o formaram para um fim muito preciso;
é, de alguma forma eterno,
o punhal que esta noite matou um homem em Tacuarembó
e os punhais que mataram a César.
Quer matar, quer derramar sangue.
Em um estojo do escritorio, entre rascunhos e cartas,
interminavelmente sonha o punhal seu sonho simples de tigre,
e a mão se anima quando o rege.
Porque o metal pressente em cada contato o homicida
para o qual o criaram os homens.
Às vezes me dá pena.
Tanta dureza, tanta fé, tão amena ou inocente soberba,
e os anos passam, inúteis.


03 outubro 2009

Canto da Estrada Real - Walt Whitman















"Quando descobri que o máximo que podiam fazer era prender meu corpo, percebi a extensão da minha liberdade."


A pé, alegre, sigo pela estrada real,
Saudável e livre, o mundo diante de mim.
O amplo caminho da terra morena à minha frente me conduz aonde me agrada.
Daqui por diante não interrogarei o destino, eu mesmo serei o destino.
Darei um fim às queixas de quartos cerrados, de bibliotecas de críticas plangentes;
Forte e contente, sigo pela estrada real.
A terra, e isto basta.
Não desejo que as constelações estivessem mais próximas,
Sei que elas estão muito bem onde estão.
(Até aqui trago minha antiga e venturosa carga.
Levo-os, homens e mulheres, levo-os comigo aonde quer que eu vá.
Juro que me é impossível deles me desfazer,
Eu deles me impregnei, em troca quero impregná-los).

02 outubro 2009

Escrita Automática II - Tranquilidade é Dentro






Munch



























Rodin

Do Delírio, do Onírico, do Inconsciente, a essencia.

Como peixe preso na rede esperneava como animal enjaulado urrava silencioso como bandido no irremediável flagrante tentava fugir então os gestos saíam desproporcionais exagerados e o descompasso da voz delatava a emoção e era isso aí estava a origem do descontrole não sabia sentir e todo o esforço para controlar racionalizar a compreensão explodia em ira desespero e confusão a emoção o desorientava e emergia então justificando-se em seu pavor a obssessão em desviar para o intelecto a irracionalidade que o dominava simplesmente não sabia fazer de outro jeito não suportava ser e tudo que o atingisse como possibilidade suave estilhaçava sua couraça e quando era tocado pelo sopro que chega em ondas harmoniosas despertando seu ser dormente a reação era desproporcional ao pequeno e leve estímulo como fagulha que detona a explosão e bastava um olhar ou esboço de palavra que o atingisse em seu medo de delicadeza pois despertava o que em seu pensamento equivocado era sua fraqueza ele desintegrava-se por dentro desconectando-o por fora o que parecia um simples desajeitamento revelava-se completo desequilibrio entre o mental e o físico entre a alma e o corpo o animal e o homem
De
sin
te
gra ç
ão
Levando à ação desconexa que externava através de socos no ar ou em si mesmo tremores tensão nos lábios gestos bruscos dentes cerrados prontos a morder não não era uma ação impulsiva qualquer mas uma pane geral em que os ponteiros ficam rodando para todos os lados ao mesmo tempo não mais cumprindo suas funções de indicar horas minutos segundos certamente se não fosse tão fragmentado poderia ter se transformado em um assassino mas nem isso pois sentia-se antes acuado sempre como se fosse ser atingido com violencia e conter sua propria violencia era a sua resposta ao desespero e o olho saltava em enormes globos de pupilas que de tão assustadas se tornavam assustadoras e essa perda de controle de seu corpo exaurido pela contenção apenas servia desgaste absurdo para nada para evidenciar que tudo absolutamente tudo nele se passava dentro e agora tudo exposto tão vulnerável e por mais que tentasse lutasse contorcesse distorcesse não conseguia transformar em tranquilidade todo aquele sentimento pura dor que destruíra sua alma e que deixara cristalizar-se assim a calma que julgava conseguir aparentar e que na verdade era um torpor que manifestava como resultado desse esforço quase monstruoso em ludibriar a si mesmo caía por terra com peso de chumbo apesar de que normalmente paralisava como falencia do controle da reação que sabia ser vulneravel à qualquer ameaça mas o perigo se dava mesmo quando frente a um estímulo suave porem certeiro tudo podia entrar em total descompasso deixando-o nu e transparente e isso era como seu fim pois o fato é que definitivamente não havia lugar para tranquilidade ali lá onde ele era ou deveria ser ou ter sido havia se perdido em algum lugar que sabia não mais encontraria restando-lhe ser um espectro de ser para não ser de todo mau porem é indiscutível que tranquilidade é dentro ou então é emoção contida ou pior ainda é ausencia de emoção ali e apesar de toda a cena aqui des-configurada fica evidente o quanto é inútil tentar dissimular à luz de certos olhos...
Denise Alves de Toledo



 
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