Poster -"Envy"- 1950,UKAcho producente esclarecer que não é o objetivo deste blog discutir teoricamente os assuntos abordados. É mais um exercicio da escrita que aqui realizo, manifestando-me através de poesias, pequenos contos ou crônicas ,preferencialmente. Porem, o tema desse post me remeteu à minha formação, como forma de melhor me colocar frente a como eu o entendo.
Os adeptos de outras teorias poderão questionar a abordagem, ou se não ao menos o acharão repetitivo. Aos leigos poderá parecer complexo e maçante de se ler. De qualquer maneira é apenas um olhar sobre o tema, dirigido a quem gosta de ler e refletir, simplesmente, com abertura e imparcialidade. Usufrua, se possivel com prazer...
O mecanismo da inveja remete, como todos os sentimentos, sejam eles bons ou maus à mais remota infancia. A primeira experiencia de frustração ao perceber que o seio materno não existe em função de satisfaze-la leva a criança a querer destruí-lo, já que a pulsão primordial é narcisista e voraz. Um pouco mais tarde a vivencia do sentimento de abandono por parte da mãe não mais provedora e a constatação de que esta 'pertence' ao pai e não a ela provoca uma reação de ódio e hostilidade. Sente-se inferiorizada e se estabelece internamente uma falta, um vazio não suprido pelo objeto de afeto.
Melanie Klein a define como sendo "Um sentimento irado de que outra pessoa possui e desfruta de algo desejavel..." e o impulso que se manifesta é o de tirá-lo dela ou roubá-lo.
Freud a contextualiza no sentimento particular da "falta", com origem lá no complexo de castração que provoca a 'inveja do pênis'. No caso de meninas, ao perceberem que lhes falta "algo" podem sentir-se em desvantagem e humilhadas. No caso dos meninos a inveja seria da incapacidade de gerar filhos e amamentar.
Num processo de desenvolvimento saudável o individuo canaliza o sentimento de inveja transformando-o de forma a ver o outro como exemplo, o que propicia uma atitude positiva em ser realizador para legitimar seu valor, tendo constatado que este não existe apenas em função de suas necessidade egóicas e que poderá utilizar-se da energia contida no conflito de maneira criativa a fim de que possa ocupar plenamente seu lugar no mundo.
Quando se fica "fixado" nessa experiencia primaria estabelece-se um padrão 'reativo' de exacerbada competitividade, rivalidade e destrutividade, já que não se supera a frustração e o sentimento de inferioridade causados pelo não atendimento ao seu desejo 'egoísta' por parte do objeto de afeto original.
Deseja-se o que é do outro por não sentir-se em condições de estabelecer o que é seu.
Deseja-se possuir o outro por não poder sê-lo.
A escolha do objeto passa a não ser feita a partir de suas próprias necessidades mas sim em função da escolha dos outros. A ferida não foi cicatrizada e o individuo se mantem aprisionado no que o fez sofrer, reagindo à fragilidade estrutural da personalidade através da criação de mecanismos de defesa, em que adota padrões de comportamento distorcidos que acabam por perpetuar a dor, pois são calcados na "luta do mais fraco contra o mais forte". Desenvolve-se uma compulsão em obter qualquer coisa que se deseje, passando por cima de quem quer que seja para vencer tentando superar o sentimento de inferioridade que o acompanha.
Restringe-se a possibilidade de obtenção de prazer, desviando-a para a necessidade de posse do objeto e isto se aplica em diversas áreas da vida, já que a frustração que o move está por trás de todas as suas ações.
Tendo passado pela experiencia da inveja na infância todos os individuos podem senti-la e sentem-na, eventualmente.
Porem, ao contrario, se se adquiriu recursos num processo adequado de desenvolvimento da estrutura emocional tenderá a converte-la em admiração, por exemplo, que catalize sua capacidade de realização e aperfeiçoamento, já que por trás do sentimento de inveja existe uma auto-estima destruída pela sensação de fracasso na resolução do conflito que a originou.
Assim, pode-se utilizar a agressividade latente nesse complexo de maneira positiva e madura.
A inveja reside em lugar obscuro, onde não há confiança, mas temor de não recuperar o objeto primario perdido na infancia. Projeta-se no outro sua própria insegurança, tenta-se impor um dominio e aprisioná-lo ou destruí-lo, na tentativa de reter ou aniquilar o objeto e não mais perde-lo ou de sobrepujá-lo.
Apenas lançar um olhar corajoso para dentro de si mesmo, confrontar seus sentimentos mais condenáveis, seu lado menos atraente é que torna possivel ao individuo sair do aprisionamento em que ele mesmo se colocou.
A vaidade e o orgulho inerentes ao homem são reforçados pelas imposições trazidas pelo desenvolvimento da civilização, em que a competição, o individualismo e o sucesso a qualquer preço cada vez mais orientam as atitudes e tornam-se seus maiores 'valores'. Isso apenas o afasta do conhecimento de si mesmo, justamente de sua tão almejada individualidade, mantendo-o diluído numa ilusão de poder e força que não tem, verdadeiramente e caminhando inevitavelmente para a auto- destruição. A inscrição feita no oráculo de Delfos, na Grécia Antiga há mais de dois mil anos já apontava a premência de o homem encarar sua 'outra face', afirmando como sua única esperança de salvação o confronto com a própria vaidade: "CONHECE-TE A TI MESMO." - atribuída aos Sete Sábios,650 a.C.-550 a.C.
Melanie Klein a define como sendo "Um sentimento irado de que outra pessoa possui e desfruta de algo desejavel..." e o impulso que se manifesta é o de tirá-lo dela ou roubá-lo.
Freud a contextualiza no sentimento particular da "falta", com origem lá no complexo de castração que provoca a 'inveja do pênis'. No caso de meninas, ao perceberem que lhes falta "algo" podem sentir-se em desvantagem e humilhadas. No caso dos meninos a inveja seria da incapacidade de gerar filhos e amamentar.
Num processo de desenvolvimento saudável o individuo canaliza o sentimento de inveja transformando-o de forma a ver o outro como exemplo, o que propicia uma atitude positiva em ser realizador para legitimar seu valor, tendo constatado que este não existe apenas em função de suas necessidade egóicas e que poderá utilizar-se da energia contida no conflito de maneira criativa a fim de que possa ocupar plenamente seu lugar no mundo.
Quando se fica "fixado" nessa experiencia primaria estabelece-se um padrão 'reativo' de exacerbada competitividade, rivalidade e destrutividade, já que não se supera a frustração e o sentimento de inferioridade causados pelo não atendimento ao seu desejo 'egoísta' por parte do objeto de afeto original.
Deseja-se o que é do outro por não sentir-se em condições de estabelecer o que é seu.
Deseja-se possuir o outro por não poder sê-lo.
A escolha do objeto passa a não ser feita a partir de suas próprias necessidades mas sim em função da escolha dos outros. A ferida não foi cicatrizada e o individuo se mantem aprisionado no que o fez sofrer, reagindo à fragilidade estrutural da personalidade através da criação de mecanismos de defesa, em que adota padrões de comportamento distorcidos que acabam por perpetuar a dor, pois são calcados na "luta do mais fraco contra o mais forte". Desenvolve-se uma compulsão em obter qualquer coisa que se deseje, passando por cima de quem quer que seja para vencer tentando superar o sentimento de inferioridade que o acompanha.
Restringe-se a possibilidade de obtenção de prazer, desviando-a para a necessidade de posse do objeto e isto se aplica em diversas áreas da vida, já que a frustração que o move está por trás de todas as suas ações.
Tendo passado pela experiencia da inveja na infância todos os individuos podem senti-la e sentem-na, eventualmente.
Porem, ao contrario, se se adquiriu recursos num processo adequado de desenvolvimento da estrutura emocional tenderá a converte-la em admiração, por exemplo, que catalize sua capacidade de realização e aperfeiçoamento, já que por trás do sentimento de inveja existe uma auto-estima destruída pela sensação de fracasso na resolução do conflito que a originou.
Assim, pode-se utilizar a agressividade latente nesse complexo de maneira positiva e madura.
A inveja reside em lugar obscuro, onde não há confiança, mas temor de não recuperar o objeto primario perdido na infancia. Projeta-se no outro sua própria insegurança, tenta-se impor um dominio e aprisioná-lo ou destruí-lo, na tentativa de reter ou aniquilar o objeto e não mais perde-lo ou de sobrepujá-lo.
Apenas lançar um olhar corajoso para dentro de si mesmo, confrontar seus sentimentos mais condenáveis, seu lado menos atraente é que torna possivel ao individuo sair do aprisionamento em que ele mesmo se colocou.
A vaidade e o orgulho inerentes ao homem são reforçados pelas imposições trazidas pelo desenvolvimento da civilização, em que a competição, o individualismo e o sucesso a qualquer preço cada vez mais orientam as atitudes e tornam-se seus maiores 'valores'. Isso apenas o afasta do conhecimento de si mesmo, justamente de sua tão almejada individualidade, mantendo-o diluído numa ilusão de poder e força que não tem, verdadeiramente e caminhando inevitavelmente para a auto- destruição. A inscrição feita no oráculo de Delfos, na Grécia Antiga há mais de dois mil anos já apontava a premência de o homem encarar sua 'outra face', afirmando como sua única esperança de salvação o confronto com a própria vaidade: "CONHECE-TE A TI MESMO." - atribuída aos Sete Sábios,650 a.C.-550 a.C.
Denise Alves de Toledo
"É preciso ir ao fundo do ser humano; ele tem uma face linda e outra hedionda.
O ser humano só se salvará se,ao passar a mão no rosto reconhecer a sua propria hediondez."
Nelson Rodrigues



Muito legal o seu blog!!!!! Gostei bastante dele.
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